
A segunda Cimeira UE/África adoptou adoptou uma Parceria Estratégica que regulará, a longo prazo, as relações entre os dois continentes e que deverá permitir a 27 países europeus e a 53 nações africanas uma era sem precedentes nas suas relações políticas, económicas e comerciais.
Os líderes da UE e de África aprovaram ainda o primeiro Plano de Acção, com projectos a executar, no curto prazo (2008-2010), entre os dois continentes, o qual prevê mecanismos de controlo de aplicação e de acompanhamento.
O presidente em exercício da União Africana, John Kufuor, defendeu a “urgente e determinada” aplicação do Plano de Acção aprovado.
“Pretendemos a aplicação de forma urgente e com determinação do Plano de Acção aprovado pela cimeira, no âmbito na nova Parceria Estratégica entre os dois continentes”, disse Kufuor.
Na designada Declaração de Lisboa, os líderes dos dois blocos afirmam que a "estratégia conjunta" deverá assentar nos princípios "da unidade de África, da interdependência de África e da Europa, da responsabilidade conjunta, do respeito pelos direitos do homem, dos princípios democráticos e do Estado de direito, bem como do direito ao desenvolvimento".
A nova estratégia euro-africana de Lisboa identifica oito parcerias prioritárias a desenvolver até à Cimeira seguinte (a terceira), que ficou agendada para 2010, num país africano: "Paz e Segurança", "Governação Democrática e Direitos do Homem", "Comércio e Integração Regional", "Objectivos do Milénio para o Desenvolvimento", "Energia", "Alterações Climáticas", "Migração, Mobilidade e Emprego" e "Ciência, Sociedade de Informação e Espaço".
Além da ambição conjunta de estabelecer uma nova parceria, "de igual para igual", entre os países da Europa e as suas antigas colónias de África, a Cimeira de Lisboa ficou também marcada por divergências entre os dois continentes, nomeadamente em torno das negociações em curso de novos acordos comerciais entre os dois blocos e da presença na reunião do presidente do Zimbabué, Robert Mugabe.
O presidente em exercício da União Africana John Kufuor, avisou que o novo relacionamento poderá deparar com alguns obstáculos, até porque, ainda há 50 anos, a Europa mantinha com o continente africano uma relação colonial e considerou que a nova parceria aprovada na II Cimeira Europa/África só terá efeitos, se desaparecer por completo o que ainda resta de colonialismo entre os dois continentes.
O lider da UA apelou a todos os países africanos para que procurem ser cada vez mais eficazes na defesa dos seus direitos e valores.
A realização da segunda Cimeira euro-africana era uma das três grandes prioridades da actual presidência portuguesa da UE, que se iniciou em Julho e termina no final deste mês.
Na organização da cimeira assumiu particular relevo o braço-de-ferro entre o Reino Unido e o Zimbabué, com o primeiro-ministro britânico, Gordon Browm, a recusar-se a vir a Lisboa devido à presença do chefe de estado zimbabueano, Robert Mugabe, cujo regime é alvo de sanções europeias por autoritarismo e violações dos direitos humanos.
Aliás a A Human Rights Watch lamentou que os chefes de estado e de governo presentes na Cimeira UE/África não tenham decido “nada em concreto” em benefício do povo africano e que não tenha sido decidido o envio de tropas internacionais para “proteger o povo do Darfur”, apesar de se ter falado muito de direitos humanos e boa governação.
A Líbia deverá acolher a 3ª Cimeira África-Europa a ter lugar em 2009.
A candidatura da Libia é anunciada pelo ministro dos negócios estrangeiros daquele país, que expressou o desejo do seu país de realizar esta cimeira a a 9 de Setembro de 2009 em concomitância com o 10º aniversário da Declaração fundadora da União Africana (UA).
Entretanto, compete à União Africana decidir o local onde se realizará a próxima Cimeira entre os líderes políticos dos dois continentes.
Adiantou que a decisão de realizar esta cimeira na Líbia foi tomada durante a reunião preparatória da conferência pelos ministros dos Negócios Estrangeiros dos países africanos e europeus na semana passada no Egipto.
A primeira Cimeira UE/África realizou-se em Maio de 2000, no Cairo.