Virgílio Brandão - Advogado*

O mundo está cheio de
coisas surpreendentes e que escapa à nossa memória histórica. Quem se recorda
de Winston Churchill? Sim, recordamo-lo pelo «sangue, suor e lágrimas» do seu
extraordinário discurso durante a batalha de Inglaterra no início da II Guerra
Mundial e como Primeiro Ministro do Reino Unido.
Mas quem se lembra
dele como escritor? Pois... Em 1953 foi galardoado com o Prémio Nobel da
Literatura pela sua obra autobiográfica e de memórias «Sangue, Suor e Lágrimas»
(encontrável no Brasil, mas não em Portugal). Ah, Borges, como te sentes
injustiçado pelos deuses de Estocolmo na tua tumba de Genebra e na Vallhada dos
poetas!
O seu grande
opositor, Adolfo Hitler, também desejava ser artista e, além do seu Mein Kamp
(a sua obra política), tem obra como pintor que foi remetido ao silêncio
censurador da História; temos de ser «protegidos» – pensam alguns. A sua obra
pictórica – com técnica considerável, como se pode ver pela amostra –, era como
a sua alma: cinzenta e desprovida de vida e de humanismo. Na verdade, da sua
obra conhecida como artista, o humano é quase inexistente; é – usando emprestado
o titulo de uma obra de José Ortega y Gasset – a «desumanização da arte».
A história não nos
avisa de nada nem nos ensina seja o que for se a escondermos... Se for
oportuno, voltarei a compartilhar mais «obras de arte» desse ser humano infame
que não pode ser esquecido para não se repetir, nem ele nem as suas ideias –
algumas, infelizmente, a renascer de forma larvar na Europa humanista.
Post
Sriptum: Aconselho a leitura de «Oulanen», peça de teatro poético de Karl Marx
– escrito na juventude – e que é uma elegia a Lucífer ou o Diabo.
Surpreendente, para um ateu confesso
*in terra-longe