
Adriano Gonçalves fez jus ao título do livro “Bana - Uma Vida a Cantar Cabo Verde”
Bana cantou, encantou e contagiou todos quantos estiveram presentes na festa de homenagem a aquele que é considerado "o rei da morna".
Com 73 anos de idade e depois de há cerca de dois meses ter sofrido um acidente vascular cerebral (AVC), Bana surpreendeu todos ao interpretar superiormente quatro músicas.
Lágrimas de emoção brotaram dos olhos de muita gente que encheu por completo a sala espelhos do palácio Foz.
Leonel, Tito Paris e Celina Pereira fizeram as honras da homenagem ao interpretarem cada um deles, uma canção celebrizada pela voz de Bana.
O lançamento do livro "Bana-uma vida a cantar Cabo Verde" da autoria de Raquel Ochoa e editada pela Planeta Vivo foi uma verdadeira festa de homenagem ao Adriano Gonçalves.

Adriano Gonçalves, Bana, nasceu no Mindelo, Ilha de S. Vicente Cabo Verde em 5 de Março de 1932.
Oriundo de uma família humilde, ele fazia parte dos adolescentes que sonhavam com novos horizontes, porque na época a ambição de qualquer jovem seria o de um dia poder emigrar e arranjar colocação no estrangeiro.
O que Bana desconhecia é que a sua sorte já havia sido lançada ao nascer com o dom de cantar e encantar a todos aqueles que o escutavam .
Dono de uma entoação e postura inimitável e inigualável através das suas mornas e coladeiras começaram a demarcá-lo como uma referência.
O seu estilo e a sua personalidade dominaram uma época.
Nos anos 60 sai pela primeira vez do seu cantinho, para uma actuação em Dakar, onde começa a somar sucessos através de espectáculos e participações na Rádio.
Em 1966 forma um grupo de 3 elementos composto por: Luís Morais (clarinete); Morgadinho (trompete); e mais tarde Toy de Bibia (guitarra) nascendo assim o tão conhecido Conjunto Voz de Cabo Verde.
Pouco tempo depois, de sucesso atrás de sucesso, consumou-se em Rotterdam uma das suas grandes aspirações; designadamente a edição do seu primeiro registo discográfico "Nha Terra e Pensamento" " Pensamento e Segredos"., onde os instrumentos acústicos marcam uma era na história da música cabo-verdiana nos Estados Unidos.
De regresso a Portugal em 1974, constitui-se um novo grupo no Conjunto Voz de Cabo Verde aumentando em número os seus elementos e os instrumentos até então utilizados.Constata-se então uma explosão e amadurecimento a nível profissional, através das experiências adquiridas.
Bana expande-se numa carreira profissional de grande prestigio o que lhe leva a consumar uma nova aspiração; ou seja o inicio de uma breve experiência na indústria discográfica portugu

esa começando assim a produzir os seus próprios trabalhos

discográficos com êxito, adquirindo 38 registos discográficos (CD's). Entre as gravações discográficas é convidado a participar em filmes que na época estreou em algumas partes da Europa nomeadamente: Holanda, Alemanha, Itália, França etc., culminando assim a sua popularidade.
Ao abraçar a fama, Bana tornou o sonho de muitos conterrâneos em realidade, investindo, apadrinhando e ajudando a formar músicos que actualmente são consagrados tais como: Cesária Évora; Tito Paris; Paulino Vieira e muitos outros.
Nuno Gomes, da Planeta Vivo garantiu ao Africanidade que a biografia que inclui um CD com algumas das interpretações do grande cantor cabo-verdiano e será apresentado brevemente em Cabo Verde, assim como na Holanda, Itália e Estados Unidos da América, países com uma comunidade cabo-verdiana expressiva.
EBorges