Presidente de Cabo Verde condecorou associações de imigrantes em Portugal
- Por Emilio Borges
- Publicado 24/07/2008
- Sociedade
"Cabo Verde tem uma dívida a saldar para com aqueles que um dia o destino empurou para "terra longe". Este acto, não é senão uma forma simbólica de traduzir a ligação afectiva entre Cabo Verde e a sua comunidade em Portugal.
Se hoje somos uma nação diasporizada em que podemos sentir o pulsar da caboverdianidade nos vários cantos do planeta, devemo-lo sem dúvida aos nossos imigrantes", disse Pedro Pires na cerimónia de condecoração das associações de imigrantes em Portugal.
O chefe de estado cabo-verdiano diz reconhecer que as associações comunitárias "têm desempenhado um relevante e insubstituível papel aglutinador e de promoção sociocultural no seio das comunidades cabo-verdianas estabelecidas no estrangeiro, adiantando que, para além de proporcionar a aprendizagem do exercício de uma cidadania activa e responsável e uma melhor integração no meio social dos países de acolhimento, as associações cabo-verdianas revelam-se de capital importância na promoção da defesa dos interesses e direitos dos nossos compatriotas, que buscam a conquista de uma vida melhor no estrangeiro, pela via do trabalho honesto e abnegado.
Têm sido uma fonte catalisadora e defensora da cultura nacional e um importante veículo da sua transmissão às jovens gerações, constituindo-se em autênticos resguardos da cultura, da coesão e da identidade nacionais.Nesse sentido Pires condecorou a Associação Assomada, Associação Cabo-verdiana, Associação Cabo-verdiana de Setúbal, Associação Cabo-verdiana de Sines, Associação Cabo-verdiana do Algarve, Associação de Melhoramentos e Recreativos de Talude, Associação Unidos de Cabo Verde e Congresso de Quadros Cabo-verdianos na Diáspora são condecoradas com a 1ª classe da Medalha do Vulcão.
Na sua mensagem o presidente Pedro Pires adianta que as comunidades cabo-verdianas radicadas no estrangeiro se distinguem por um forte sentido de coesão e de pertença, factor altamente valorativo para a sua indispensável integração na sociedade de acolhimento.
No entender do chefe do Estado, isso se deve, em grande medida, à atitude e actividade cívica
Assim decidiu condecorar com a 1ª classe da Medalha do Vulcão Alberto Rui Machado, Germano Monteiro, João Baptista Doroteia (a título póstumo), João Fiel Miranda e Manuel Correia, Marcelino da Rosa, Maria Alice Fernandes, José Emídio Craveiro Rocha,Em representação dos comendadores Manuel Correia agradeceu o gesto de reconhecimento da validade do trabalho que as associações têm desenvolvido prometendo trabalho e "dedicação na tarefa que nunca descuramos, nem descuraremos, de elevar bem alto, onde quer que estejamos, o nome de Cabo Verde, a nossa terra-mãe que muito amamos e nunca esquecemos".
Aliás o presidente da República pediu as associações "façam mais pela valorização da comunidade cab-verdiana em Portugal".
Pedro Pires manifestou-se preocupado com a proliferação de associações alertando apelando "vejam no associativismo um instrumento de trancendete na vida das comunidades imigradas, quer pelo papel aglutinador e de animação sócio-cultural, quer como a melhor forma de promover e defender direitos comuns e de participação cívica que pode facilitar a inclusão social, cultural e política na sociedade de acolhimento, por outro, creio que a proliferação de associações pode significar factor de fragilização. Penso ser preferível a exitência de um menor número de associações em que as organizações sejam representativas e promotoras da coesão e solidariedade social, ou seja actores facilitadores da integração plena dos cabo-verdianos nos paises de acolhimento".Entretanto antes da condecorar as associações e personalidades imigrantes, o presidente cabo-verdiano visitou a maior central solar do mundo, em construção na Amareleja, no concelho alentejano de Moura (Beja).
Ao ver a experiência portuguesa, Pedro Pires, defendeu que Cabo Verde deve aproveitar o vento, sol e o mar que tem e apostar nas energias renováveis para libertar-se da dependência energética do petróleo, sobretudo na eólica e na solar, mas também pode equacionar a energia das ondas do mar.
Emílio Borges