O mercado publicitário em Angola está a aumentar significativamente e a acompanhar o pujante crescimento económico do país, com o sector a ser já disputado por mais de 150 empresas.

Segundo o presidente da Associação Angolana de Publicidade e Marketing (AAPM), José Guerreiro, estão incritas nesta organização 66 empresas colectivas e 96 individuais. Tendo em conta que não existe obrigatoriedade de inscrição na associação, calcula-se que tenham actividade no mercado angolano pelo menos 150 empresas, algumas sem exclusividade no ramo.

José Guerreiro, que também é director geral da TVC, empresa comercial concessionária dos espaços publicitários da Televisão Pública de Angola, assinala que a concorrência "é forte" nos sectores das telecomunicações, banca, alimentação e bebidas e construção e imobiliária.

Relativamente aos anunciantes, José Guerreiro reconhece a existência de "alguma limitação", fruto da "relativa redução" de consumidores com poder de compra para produtos de largo consumo.

"Apesar da reduzida oferta de televisão face à dimensão do país - dois canais de sinal aberto e alguns por assinatura, mas com reduzida penetração -, em termos absolutos do volume de investimentos, a televisão ainda é o principal veículo", afirma.

José Guerreiro diz que para o futuro, após as legislativas de 05 de Setembro, resta a consolidação das tendências actuais e o provável alargamento dos veículos, com o recente lançamento de vários jornais, as perspectivas de diversificação da estação pública de
televisão, o previsível aparecimento de outros canais televisivos e de mais gráficas, bem como a exploração da internet.

Por sua vez, o director da Artimagem, Victor Aleixo, diz que a publicidade em Angola "vai dando os primeiros passos", acompanhando o desenvolvimento do país, mas poderá conhecer resultados "mais positivos" quando os sectores produtivos tiverem "resultados mais saudáveis".

"Desde o início da década de 1990 podemos dizer que temos publicidade comercial em Angola, antes disso havia propaganda política", disse Victor Aleixo, acrescentando que as agências brasileiras e portuguesas a trabalhar no país são o "fio condutor" para que comece haver a verdadeira publicidade angolana.

Nos próximos anos, defende ainda Aleixo, "Angola vai registar um incremento muito grande nos sectores produtivos e as agências brasileiras e portuguesas são as grandes escolas para a verdadeira publicidade angolana".

"Neste momento ainda temos imitações destes dois países adaptadas à realidade do país", frisa.

As primeiras iniciativas no ramo da publicidade começaram a surgir em Angola no início no início da década de 1970, quando foram criados os primeiros estúdios e agências.

Na altura, estes centralizavam o seu trabalho na produção de "spots" e "jingles" de rádio e anúncios gráficos para jornais, os órgãos de comunicação social mais comuns na então colónia portuguesa.

Com a proclamação da independência de Angola, em 1975, e a opção estratégica de desenvolvimento - economia planificada e centralizada - os investimentos nesta área deixaram de existir, tendo sido retomados nos anos 1980, com as reformas políticas e económicas feitas pelo Governo.

Desde essa altura, a indústria publicitária não parou e, em 1999, quando foi criada a Associação Angolana de Publicidade e Marketing (AAPM), aderiram 27 empresas, valor que mais do que duplicou em 2008.
Lusa