
Uma missão da UNESCO estará em Cabo Verde entre os dias 15 e 18 para avaliar a candidatura da Cidade Velha a Património da Humanidade, embora a decisão apenas seja anunciada em Julho próximo.
O ministro da Cultura de Cabo Verde, Manuel Veiga, disse que esta é a última missão da UNESCO ao arquipélago antes da decisão, que será anunciada na conferência geral da organização, prevista para Espanha no mês de Julho do próximo ano.
Cabo Verde apresentou em Janeiro a Cidade Velha (primeira cidade construída pelos portugueses no arquipélago e que durante séculos serviu como entreposto de escravos) como candidata a património da humanidade, pelo peso histórico que representa e por ser o berço da nação cabo-verdiana.
Actualmente está a ser requalificado o Bairro de S. Sebastião, beneficiando arruamentos e habitações mas mantendo a traça original, e também os restos da antiga catedral da Cidade Velha sofreram obras de consolidação, a cargo do arquitecto português Siza Vieira.
As obras destinam-se a integrar o bairro num "espaço histórico emblemático onde as ruínas da Sé Catedral são o testemunho eloquente de um passado que não podemos apagar da nossa memória", disse o ministro.
"Para nós, a Cidade Velha já é Património da Humanidade, o que falta é o reconhecimento da comunidade internacional", disse Manuel Veiga, salientando que a primeira cidade de Cabo Verde existe desde o século XV e foi durante três séculos "o centro do mundo atlântico", sendo que o continente americano "seria hoje outra coisa" se não tivesse existido a Cidade Velha.
Manuel Veiga falava aos jornalistas para apresentar os projectos em curso na área da Cultura, como por exemplo a criação de um espaço de exposição permanente para apresentar documentos especiais, como o texto da Declaração da Independência ou a última mensagem de Amílcar Cabral (que lutou pela independência de Cabo Verde e da Guiné-Bissau).
Em Novembro próximo o governo vai organizar um Fórum Internacional sobre a Economia do Desenvolvimento Cultural Sustentado, com a apresentação de experiências na área das indústrias criativas.
Manuel Veiga aproveitou para frisar que o governo não pode financiar todos os projectos culturais e disse que os artistas têm de ganhar o hábito "de ir ao banco fazer um empréstimo", sendo que o governo, revelou, está a tentar criar um crédito bonificado, para financiar projectos culturais.
"Há países onde a Cultura contribui para o PIB e nós também temos de chegar lá. A Cultura é o nosso melhor produto, temos de investir nela, como elemento simbólico mas como mercado também", disse o ministro.
Lusa