Inocência Mata, professora de literatura na Faculdade de Letras de Lisboa e autora de vários ensaios, vai lançar quarta-feira, às 17 horas, no anfiteatro da Universidade Católica de Angola, o seu novo livro intitulado “A literatura africana e a crítica pós colonial – reconversões”, sob a chancela da Editorial Nzila.
Segundo o que a autora expressa, a colectânea de ensaios é o resultado de um processo de pesquisa sobre questões de ordem teórica e metodológica no estudo da literatura africana, na qual pretende discutir algumas questões levantadas na sua actividade docente e crítica.

“Pretendo nestes ensaios percorrer alguns destes lugares científicos e erigi-los a temas de minhas reflexões sobre a razão cultural das teorias e conceptualizações adoptadas no estudo das literaturas africanas, intentando a revisitação de algumas disposições conceituais, a reformulação de alguns conceitos por via da análise crítica do discurso e a reposição de algumas problemáticas no estudo das literaturas dos países emergentes – na senda, aliás, do que vem acontecendo também na área das teorias pós-coloniais, desde há alguns anos”.

O livro que vai ser apresentado por António Costa, director da Faculdade de Ciências Sociais da UCAN - Universidade Católica de Angola será comercializado ao preço de dois mil Kwanzas, com direito a autógrafo.

No prefácio da obra, Luís Kandjimbo afirma que “ao constatar que a dependência das literaturas dos países africanos continua perante as instâncias de legitimação europeia, Inocência Mata pretende chamar a atenção do leitor para as insidiosas leituras que nos são propostas por estrat&eacu
te;gias hermenêuticas e critérios de apreciação hegemónicos, veiculados através do feitichismo sedutor do livro e da cultura ocidental em geral”.

Por isso, disse, “a autora adverte: a recepção efusiva, na antiga metrópole, de escritores de determinado segmento e determinada escrita (como é a situação que se vive em Portugal) parece ser sinal de uma relação de que, numa perspectiva de globalização, as sociedades hegemónicas procuram o outro para continuarem a pensar-se simultaneamente imperiais”.

“A existência de escritores portugueses de motivação africana”, como lhes chama Inocência Mata, aos quais são reconhecidas reivindicações de uma identidade transnacional, revela bem a natureza instrumental da literatura de motivação africana cuja teleologia aponta para a deslegitimação da autoridade de um discurso endógeno”, considerou.

Doutora em Letras pela Universidade de Lisboa, Inocência Mata, é professora na área de Literaturas Pós-coloniais, Multiculturalismo e Dinâmicas Interculturais e Multilinguismo e Políticas Linguísticas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A sua actual pesquisa em Literaturas Africanas, sua área primordial, centra-se na questão do pós-colonialismo e nos processos de encontro cultural em contextos multiculturais.
Professora convidada de muitas universidades estrangeiras, tem dezenas de ensaios publicados em revistas de especialidade nacionais e estrangeiras. É autora de vários livros, entre os quais Emergência e Existência de uma Literatura: o Caso São-tomense (Lisboa: 1993), Diálogo com as Ilhas: sobre Cultura e Literatura de S. Tomé e Príncipe (Lisboa: 1998), entre outros.

É colaboradora da Biblos – Enciclopédia das Literaturas de Língua Portuguesa (Editorial Verbo) e do Dicionário Temático da Lusofonia (ACLUS – Associação de Cultura Lusófona). É também membro do Conselho Editorial e Consultivo de revistas de especialidade nacionais e estrangeiras.
Angop