O Movimento para a Democracia (MpD), maior partido da oposição em Cabo Verde, acusa o Governo de ser responsável pela "situação económica e social extremamente difícil" que o país atravessa.

Em conferência de imprensa, o líder da bancada do MpD, Fernando Elísio Freire, acusou o executivo de não ter preparado o país para aproveitar as oportunidades em tempos de bonança, nem criado condições para aguentar o choque em tempos de crise.

Como consequência apontou a queda de seis lugares de Cabo Verde no ranking mundial em termos de negócios, de acordo com o relatório "Doing Business".

"O relatório do Banco Mundial 'Doing Business' prova claramente que o Governo não reforma mas faz propaganda, não inova mas repete processos sem solução adequada", disse.

"Cabo Verde caiu seis posições, ocupando a posição 143 num total de 181 países. Esta situação é fruto de um Governo que falhou nas principais reformas: na reforma da administração pública, na reforma da energia, na diversificação da economia nacional, na estabilidade dos preços e na reforma do mercado de trabalho", acusou.

Fernando Elísio Freire afirmou ainda que com o novo código do trabalho torna-se mais difícil fazer negócios, pelo que foi considerado "um dos piores códigos do mundo, vide 'Do
ing Bussiness'".

Para Elísio Freire, os cabo-verdianos estão a sofrer as consequências da "política demagógica e de propaganda" do Governo de José Maria Neves (PAICV, Partido Africano da Independência de Cabo Verde), com a inflação a atingir o valor mais alto dos últimos 10 anos.

"Temos uma diminuição da actividade económica e do investimento, aumento do desemprego e da inflação, perda de poder de compra das famílias, perdas de competitividade das empresas, dificuldade de acesso ao crédito, redução das exportações, e crise de energia, água e inertes", disse.

O líder da bancada do MpD salientou que o Governo esta a escudar-se na crise internacional para justificar todas as situações de crise no país e anunciou que o seu partido vai propor um novo sistema fiscal "mais amigo" da sociedade cabo-verdiana na discussão do próximo Orçamento de Estado.

O MpD quer uma política fiscal que "opte pela melhoria das condições vida dos cidadãos e da competitividade das empresas" e nunca "uma política fiscal de caixa, que serve única e exclusivamente para aumentar as receitas do Estado para que o Estado possa continuar como principal agente económico a distribuir benesses à população", garantiu.

Os cabo-verdianos "têm capacidade por eles próprios para conseguirem desenvolver-se", justificou.

Elísio Freire disse ainda que o partido já enviou uma carta à ministra da Economia, Crescimento e Competitividade solicitando informações sobre o estado a Electra, empresa de água e electricidade que atravessa uma profunda crise.
Lusa