Uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) que visitou Cabo Verde recentemente considerou que a economia do arquipélago teve um "desempenho sólido" no primeiro semestre deste ano.

A missão, liderada pelo chefe adjunto da Divisão do FMI para África, Lamin Leigh, avaliou desde 22 de Setembro o programa de reforma que Cabo Verde está a levar a cabo com apoio do Instrumento de Apoio à Política Económica (PSI) da instituição financeira internacional.

Lamin Leigh sublinhou que o principal desafio de Cabo Verde é manter o actual rumo, que permitiu "reforçar a credibilidade das suas políticas económicas nos últimos anos e executar as reformas estruturais".

Essas reformas devem conduzir o país a um crescimento a médio prazo, reduzir a pobreza e a resistência da economia cabo-verdiana a choques externos, adiantou.

O funcionário do FMI, que considera prudentes as políticas levadas a cabo pelo Governo cabo-verdiano, sustentou que o principal desafio do arquipélago é "manter o bom desempenho macroeconómico".

No decorrer da missão, os técnicos do FMI constataram qu
e os principais motores do desenvolvimento económico de Cabo Verde continuam a ser as exportações turísticas elevadas e as entradas de investimento directo estrangeiro.

Contudo, prevê-se uma desaceleração em 2008/09, “reflectindo o impacto de um crescimento global menor".

A missão do FMI constatou também um aumento da inflação nos últimos meses, devido à subida dos preços dos alimentos e dos combustíveis, "efeitos controláveis graças às margens de segurança económica criadas pelos esforços da reforma de Cabo Verde, que colocaram o país numa posição de força para enfrentar os desafios económicos".

Lamin Leigh precisou que "o espaço fiscal criado nos últimos dois anos é notável e a missão apoia as medidas que o Governo tem tomado para enfrentar os preços mais elevados dos alimentos e combustíveis".

Entretanto, alertou que Cabo Verde deverá continuar a esforçar-se para tornar a economia mais flexível e "mais resistente aos choques económicos".

O alto funcionário do FMI congratulou-se por a dívida pública interna em percentagem do PIB estar a diminuir, por o regime cambial de paridade continuar a servir bem o país e por se assinalarem "progressos notáveis a nível da execução de reformas estruturais".
Pana