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O perigo de uma (segunda) falsa partida, nas eleições legislativas de 2008, na Guiné-Bissau.
- Por Africanidade
- Publicado 7/10/2008
- Coluna de opinião
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João Ribeiro Butiam Có –
Sociólogo

No dia 16 de Novembro próximo os guineenses serão, uma vez, convidados a exercerem a sua cidadania através das urnas, escolhendo, no seu entender, o(s) partido(s) que irá(o) governar o país, nos próximos quatro anos. As experiências – de outras tantas eleições – demonstram que os guineenses ainda estão em fases de experimentação democrática, devidos as escolhas do passado e os efeitos (das mesmas) no presente. Porém, é um desafio importante – mais uma vez – no percurso e crescimento da jovem democracia guineense.
Ainda assim, o (curto) ciclo democrático testemunha dois grandes momentos. Por um lado, o período de 1994 à 1999 e, por outro, o período após eleições de 1999 à data presente. Apesar disso, ambos trouxeram algumas experiências para a democracia guineense. A primeira experiência foi de 1994, onde o PAIGC – perante (fracos) concorrentes, o Movimento Bafatá (RGB-MB); a União para a Mudança (UM); e o Partido da Renovação Social (PRS) – conseguiu ganhar com a maioria absoluta (ainda que em pequena margem). Este período teve como alguns elementos a sublinhar, na vitória do PAIGC, a (então) máquina do partido no poder, que permitiu destruir antecipadamente o (então) principal opositor, RGB-MB.
Esta fase, que pode ser caracterizada de pouca consciencialização da população em relação aos prós e contras do multipartidarismo africano (e guineense), permitiu que o partido que tinha dado a abertura ao multipartidarismo (em 1991) ganhasse as eleições (em 1994). Outros factores, exemplo da fragmentação “moderada” do sistema partid&aac
A experiência das eleições de 1999, trouxe uma mudança na intenção de voto. É um período que confirma a ascensão do PRS, por várias razões (incluindo as consequências da guerra sete de Junho), mas sobretudo, por ser período de grande entusiasmo a volta do seu líder Kumba Yala, como personagem capaz de – no entender do povo guineense – levar o país à mudanças necessárias. Todavia, aumentou o nível de fragmentação do sistema partidário guineense, com onze partidos a concorrer as legislativas. E, a partir desse momento, sustenta-se a tese da “solidariedade confinada” dos votos. Disso, o exemplo do surgimento (nas eleições de 1999) de três grandes partidos (PRS; RGB-MB; PAIGC) a dividir os assentos parlamentares (38; 28; 24 respectivamente), sob olhar de alguns pequenos partidos (UM; PSD; FDS e UNDP).
A segunda fase, da experiência do eleitorado guineense, começa em 2004 à data presente. Com dois factores negativos (interligados entre si). Tendo sido um entrave à consolidação da democracia guineense. Primeiro é o factor da consolidação do voto na base da “solidariedade confinada”; segundo é a consolidação da fragmentação profunda do sistema partidário guineense. Fase de experimentação e fragmentação politicas, de vários partidos, com surgimento de algumas personalidades que, devido a ansiedade crítica dos momentos, se tornaram em “grandes” líderes. Disso, o exemplo de Francisco Fadul no PUSD, agora no PADEC; e mais recente o Aristides Gomes no PRID.
A fraca vitória (sem maioria absoluta) do PAIGC nas eleições de 2004, teve como consequências dois factores. Primeiro, é a anunciada fraqueza e “auto-destruição” politica do Kumba Yala (quem o povo tinha depositado toda a confiança em 1999). Isto, devido à várias atrocidades, inconstitucionalidades, exonerações e quedas dos sucessivos governos ( tendo como consequência o regresso do Nino ao poder, nas eleições presidenciais de 2005). A par disso, o surgimento do Fenómeno “Fadul” que, no entender do povo, representava uma (nova) alternativa. O segundo factor, aliava-se a desconfiança da população em geral dos políticos e dos partidos por um lado, e por outro, a acentuada fragmentação do sistema partidário e a solidariedade confinada dos votos. Elementos que continuam a constituir grandes obstáculos à maturação da democracia guineense, e que muitos dos actores políticos têm sabido tirar proveito para a sustentação das suas intenções egoístas.
A relação entre os guineenses e a formação das estruturas guineenses, têm demonstrado que a infeliz guerra de sete de Junho, as eleições presidenciais de 2005, deixaram grandes divisões no povo guineense. E, por consequência, constituem o mote para uma nova ordem do poder na Guiné-Bissau. O país passou e vive de tensões e conflitos latentes, que fizeram crescer a incrustação das pessoas, ao ponto de se perfilarem em confinações de votos étnicos e/ou religiosos. O que leva a concluir que, a fragmentação do sistema politico-partidário, condiciona a sociedade guineense à uma divisão étnico-religiosa e vice-versa.
Porém, estes dois grandes momentos da vida (ainda curta) do ciclo democrático guineense, representam uma falsa partida, nas escolhas que o povo fez, e a consequente advertência. Perante este desafio, apesar da contínua fragmentação politica partidária (exemplo do surgimento de forças politicas como o PRID e PADEC), e a confinação da solidariedade étnica/religiosa, dos votos, é reservado ao povo guineense - após escolhas que permitiram governações desastrosas - a hipótese de uma segunda oportunidade de escolha. Ao nosso entender, tendo em conta o aclamar dos votos, Carlos Gomes Júnior (líder do PAIGC) – que neste momento parece ter mais eleitorado do que o seu próprio partido – representa, pelo menos (em teoria), a esperança do povo. A ver vamos.
Comentários
Comentário #1 (Inserido por utilizador não conhecido)
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Um regresso excelente na análise do Colunista João Có. Que o país entregue a governação ao CADOGO, para salvar o país da miséria. Mostrou ser capaz
Comentário #2 (Inserido por utilizador não conhecido)
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Já não há espaço para os erros do povo. Pensamos que é desta que os guineense devem saber escolher, fugindo dos incompetentes que após a gueera de sete de Junho assaltaram o poder e mergulharam o país no caos. Abrem os olhos guineenses.
Comentário #3 (Inserido por omarildo Silva)
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Concordo plenamente com o conteúdo do texto, porque espelha a história recente da nossa recente democracia. Independentemente de ter a consciencia da nossa imaturidade política na escolha dos nossos governantes, faço votos que corra tudo bem, num clima de transparência e respeito pelos direitos humanos.
A campanha eleitoral começa no dia 26 de Outubro, espero e desejo que decorra num clima de paz e que não misturem questões pessoais com interesses nacionais e do nosso povo.
Que o pivot de todo este cenário político actual, saiba ocupar e honrar a sua missão de um simples cidadão, sem usar o aparelho do poder para fazer danos colaterais.
Que os partidos concorrentes saibam cumprir com os seus diveres e transmitam apenas os programas políticos, sem misturarem a ciência política com politiquices.
Como guineense tenho Fé que tudo irá correr bem.
Comentário #4 (Inserido por utilizador não conhecido)
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um bom comentario
Comentário #5 (Inserido por utilizador não conhecido)
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Revelador
Comentário #6 (Inserido por MAMADU BOBO BALDÉ)
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ESTOU EXTREMAMENTE CONTENTE E ORGULHOSO DE ACOMPANHAR TRABALHOS EXCELENTE DESSE COLEGA E AMIGO DR. JOAO RIBEIRO PORQUE NA SUA QUALIDADE DE INVESTIGADOR DE INE EM BISSAU É SEM DÚVIDA EXCELENTE CONHECEDOR DA REALIDADE LOCAL E TEM VINDO A DEMOSTRA-LO COM QUALIDADE E SABEDORIA. TAMBÉM OS MEUS PARABENS PARA O COMENTARISTA 3 PELA SEU SIMPLES E RICO CONTRIBUTO. OS MEUS APELOS PARA O COMENTARISTA Ñ CONHECIDO PARA LHE FRIZAR QUE APESAR DE Ñ ATINGIRMOS UMA DEMOCRÁCIA MADURA, MAS HOJE EM DIA NA GUINÉ NINGUEM TEM NECESSIDADE DE SE ESCONDER ATRÁS DA PORTA PARA EXPRESSAR O SEU PONTO DE VISTA. JÁ ESTÁ ULTRAPSSAD A ERA DE DITADURA POLÍTICA, PRESIGUISAO AOS OPOSITORES E AOS CRÍTICOS, HOJE FELIZMENTE A EXPRESSAO É LIVRE Ñ SE DEVE TEMER NADA NEM A NINGUÉM, ATÉ PORQUE EXISTEM MUITOS PARTIDOS POLÍTICOS COM DIFERENTES IDEOLOGIS E PONTOS DE VISTA. SERÁ QUE ESSE FULANO UM DIA SE VIER A SER NOMEADO UM RESPONSÁVEL POLÍTICO ANDARÁ SEMPRE A ESCONDER COMO FIZERA CAPACETE DE FERRO DURANTE A GUERRA DA GUINÉ??? GRACIAS MI ERMANOS Y BUENA SUERTE EN LAS ELECCIONES DEL PRÓXIMO MÊS.
Comentário #7 (Inserido por utilizador não conhecido)
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EXCELENTE
Comentário #8 (Inserido por José da Conceição Januá)
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Felicito o Dr João R. Có pela forma profundamente comprometida como analisa a actualidade política da Guiné. Enquanto angolano só quero desejar ao povo irmão da Guiné um profundo sentido patriotico e renovada capacidade de superar com sucesso mais este momento que a historia vos oferece de poderem escolher livremente os vossos dirigentes para que a vossa bela patria seja cada vez mais forte espiritual e materialmente.
J.Januário
Comentário #9 (Inserido por carlos)
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Uma reflexão interesante de quem conhece a realidade