
Angola comemorou ontem, 11de Novembro, o seu 33º aniversário da independência nacional, numa altura em que o país vai dando passos firmes para a recuperação do tempo perdido em 27 anos de guerra que deixa atrás danos incalculáveis.
Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), já em 2007, cinco anos após o fim da guerra civil, o país tinha atingido a maior taxa de crescimento económico do mundo, estimada em 35 por cento.
É o início da cruzada pela reconstrução nacional rumo a um futuro mais promissor até aqui adiado por ciclos de confrontações armadas que se saldaram na asfixia quase total da economia do país com a destruição sistemática de infraestruturas e a perda de vidas humanas.
Com efeito, este conflito armado madrugador, iniciado pouco depois da independência nacional de 11 de Novembro de 1975, conheceu o seu termo apenas em 2002 com a assinatura, em Abril desse mesmo ano, do último acordo de paz da história do país depois de vários outros mal sucedidos.
Este pacto só foi possível graças à morte em combate do então líder rebelde, Jonas Savimbi, que praticamente ditou o fim da insurreição que ele conduzia através da sua União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), hoje convertida em partido político.
Terminada a guerra, começaram a surgir os primeiros sinais de “ressureição” com o lançamento de programas de desminagem e reabilitação de todas as infrastruturas administrativas e socioeconómicas destruídas durante o conflito armado em todo o país.
Estas acções traduzem-se hoje na normalização da circulação de pessoas e bens em toda a extensão do território nacional e na retomada do processo de democratização política que culminou com a realização das segundas eleições legislativas, em Setembro passado, estando as presidenciais previstas para 2009.
O processo democrático tinha sido interrompido em 1992 pela guerra retomada pela UNITA depois de ter rejeitado, por alegada fraude, os resultados das primeiras eleições gerais de Setembro do mesmo ano, ganhas pelo partido no poder desde a independência do país, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) do Presidente José Eduardo dos Santos.
As segundas eleições legislativas na história do país confirmaram a hegemonia do MPLA, que venceu o escrutínio com 81,46 por cento dos votos.
O novo Governo saído destas eleições tem assim todas as condições reunidas para levar a bom porto o programa de reconstrução nacional já em curso que, para além da vertente de reabilitação, contempla a construção de novas infraestruturas rodoviárias, aeroportuárias, portuárias, hoteleiras, habitacionais, sanitárias e educacionais, entre outras.
A confirmar esta expectativa, o novo primeiro-ministro, Paulo Kassoma, já admitiu, nos seus primeiros pronunciamentos públicos, que a paz alcançada há cerca de seis anos “tem propiciado uma convivência pacífica ímpar, não só pelo seu carácter irreversível, mas também pelos resultados altamente positivos do ponto vista económico, social e de tolerância política”.
Segundo ele, o programa do seu Governo a médio prazo, define como principais objectivos, para o período 2009-2012, a promoção da unidade e coesão nacional, a consolidação da democracia, a estabilidade económica, a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e a promoção do desenvolvimento do sector privado.
O programa prioriza igualmente a garantia de um ritmo elevado e sustentado de crescimento económico com a transformação e diversificação das estruturas económicas, o desenvolvimento humano dos Angolanos, o aumento do emprego e dos rendimentos, a recuperação e a construção de infraestruturas e a reforma do Estado.
Para 2009, o Governo apresentou um plano assente num Orçamento Geral do Estado de três triliões 176 biliões 126 milhões 800 mil kwanzas (um dólar americano equivale a 75 kwanzas) com a previsão de uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 11 por cento.
E dos projectos já em curso, destaca-se, entre outros, um novo aeroporto internacional ultramoderno para a cidade capital, Luanda, que está a ser erguido sobre uma superfície de cerca de cinco mil hectares, e concebido para duas pistas duplas de 60 metros de largura cada com capacidade de aterrizagem do maior avião comercial do mundo, o "Airbus" A-380.
O aeroporto, cujas obras estão a cargo da empresa chinesa “China International Fund Limited” com previsão de serem concluídas em 2010, terá uma capacidade de parqueamento para 30 aviões de grande porte, terminais de passageiros para voos nacionais e internacionais e uma rede de hotéis, entre outras infraestruturas.
Tudo isso, numa altura em que o país se prepara para albergar, pela primeira vez, o Campeonato Africano das Nações (CAN) em futebol, na sua edição de 2010, para o qual estão a ser construídos quatro novos estádios modernos sendo um em cada uma das quatro cidades que vão acolher os jogos da prova (Luanda, Cabinda, Lubango e Benguela).
Pana