O Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou a gestão da economia de Cabo Verde nos últimos seis meses, sublinhando que os investimentos no sector do turismo estão a ter efeitos directos na redução da pobreza e do desemprego no arquipélago.

O vice-director administrativo do FMI, o Brasileiro Murilo Portugal, divulgou os dados da revisão do desempenho económico de Cabo Verde, que revelam que o “crescimento do arquipélago está a ser sustentado por um aumento significativo do investimento directo estrangeiro, sobretudo no sector do turismo”.

Esta nova revisão, feita pelo Conselho Executivo do FMI, é a terceira no âmbito de um processo estabelecido entre o Governo cabo-verdiano e a instituição para um período de três anos, denominado Instrumento de Apoio às Políticas (PSI).

Trata-se dum mecanismo, aprovado a 31 de Julho de 2006, projectado pelo FMI para ajudar o Executivo cabo-verdiano a melhorar a sustentabilidade do crescimento e o desenvolvimento do país, através dum ambiente macroeconómico adequado.

Embora tenha constatado que, no âmbito
geral, a economia cabo-verdiana continua a ter uma evolução bastante positiva, o relatório constata um aumento moderado da inflação nos últimos seis meses, mas atribui esse facto ao mau ano agrícola que poderá ter provocado um aumento temporário dos preços dos alimentos.

O FMI considera ainda que a consolidação fiscal e a acumulação de reservas ultrapassaram as expectativas, mas reconhece a necessidade de um reforço da regulação e supervisão financeira.

Neste sentido, o Governo cabo-verdiano projecta para 2008 a criação de sistemas de controlo da lavagem de dinheiro e para combater esquemas susceptíveis de financiar o terrorismo.

O FMI reconhece ainda que, apesar de progressos no reforço da gestão financeira do sector público, persistem deficiências na comunicação de dados que afectam um melhor conhecimento do grau de endividamento interno.

A instituição sugere, igualmente, um reforço do sector da energia que considera crucial para prosseguir o crescimento, reduzir a pobreza e limitar os riscos fiscais.

“É importante que as autoridades cabo-verdianas implementem rapidamente seus planos de uma revisão abrangente do sector da energia, incluindo a criação de uma nova base da estrutura tarifária”, precisa o FMI.
pana