



O Conselho de Ministros de Cabo Verde aprovou um decreto-lei que institucionaliza o Alfabeto Unificado para a Escrita do Crioulo Cabo-verdiano (ALUPEC).
A porta-voz do Conselho de Ministros, Janira Almada, disse que o português continua a ser a língua oficial de Cabo Verde, mas lembrou que há um projecto de revisão constitucional (do partido que sustenta o Executivo) que prevê a inclusão do crioulo como uma das línguas oficiais do arquipélago.
O ALUPEC foi consagrado como alfabeto experimental em 1998 e no final do ano passado, durante um encontro sobre o crioulo, concluiu-se que podia ser institucionalizado em definitivo, tendo o Governo justificado agora a sua institucionalização pelo seu carácter útil e pelo seu valor cultural e social.
Janira Hopffer Almada afirmou que a institucionalização do ALUPEC não prejudica a utilização, pelos Cabo-verdianos, das variantes da língua nacional utilizadas em cada uma das ilhas de Cabo Verde.
Anunciou que será criada em breve uma instituição que vai acompanhar a implementação do ALUPEC.
A ministra da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares disse que o ALUPEC é um recurso ao dispor do povo cabo- verdiano, um instrumento para a escrita da língua cabo-verdiana que respeita cada uma das variantes da língua crioula em todo o arquipélago.
"Isto quer dizer que qualquer cidadão, da Brava do Fogo, de Santiago, do Maio, da Boa Vista, do Sal, de S. Nicolau, de S. Vicente e de S. Antão, poderá fazer uso deste alfabeto da língua cabo-verdiana, mas garantindo-se, sempre, o respeito pela sua variante", sublinhou a porta-
Por outro lado, o governo de Cabo Verde anunciou a entrada em vigor do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no segundo semestre de 2009.
Contudo, o Governo prevê um período de transição, que poderá variar entre seis e 10 anos, para a plena implementação do acordo.
Cabo Verde foi um dos primeiros países a ratificar o Acordo Ortográfico, documento aprovado em Dezembro de 1990 pelos outros países lusófonos, nomeadamente Portugal, Brasil, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique.
Para vigorar, o acordo tinha de estar ratificado por um mínimo de três dos oito Estados membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o que foi alcançado desde 2006 após a sua ratificação por São Tomé e Príncipe, por Cabo Verde, pelo Brasil e por Portugal.
A CPLP integra Angola, o Brasil, Cabo Verde, a Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé Príncipe e Timor Leste.
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