O actual primeiro-ministro da Guiné- Bissau, Carlos Gomes Júnior, pretende candidatar-se pelo Partido Africano para Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder) às eleições presidenciais no seu país, previstas para dentro de dois meses.

Carlos Gomes Júnior, até agora único candidato do partido no poder às presidenciais, liderou a sua formação política para a vitória nas eleições legislativas de Novembro passado, nas quais o PAIGC obteve maioria absoluta com mais de dois terços dos deputados eleitos (67 em 100).

A única figura que poderá fazer frente ao líder do PAIGC será posssivelmente o ex-Presidente Kumba Yalá, caso este se candidate às eleições presidenciais.

A Guiné-Bissau deverá organizar eleições presidenciais antecipadas dentro de dois meses, como prevê a Constituição, na sequência do assassinato do Presidente João Bernardo "Nino" Vieira na sua residência por militares não identificados a 2 de Março corrente.

O então Presidente da Assembleia Nacional, Raimundo Pereira, igualmente membro do PAIGC, assumiu o cargo de Presidente da República interino até a realização das eleições presidenciais.

O escrutínio deverá colocar um ponto final na crise política desencadeada pelo assassínio de Nino Vieira algumas horas depois da morte do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o general Batista Tagmé Na Waié, num atentado à bomba no Quartel-General a 1 de Março.

A Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau entra hoje, (terça-feira), no segundo dia do debate do programa do governo, apresentado na sexta-feira pelo primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior.

Os principais objectivos são a boa-governança, a estabilidade política, a modern
ização do Estado e o crescimento económico. A reforma das forças armadas é um outro ponto importante do referido programa.

Eleito em Novembro passado, só agora a apresentação do programa do executivo de Cadogo se mostra possível. Isto porque devido aos acontecimentos que ditaram a morte do presidente João Bernardo Nino Vieira e do chefe das Forças Armadas, Tagma Na Waie, os trabalhos da ANP tiveram de ser suspensos.

Entretanto, o presidente interino da República, Raimundo Pereira, viajou ontem ao Burkina Faso, para participar numa reunião da UEMOA (União Monetária da África de Oeste), de onde deve seguir hoje para Líbia. O estadista guineense não escondeu à imprensa que os propósitos dessa sua deslocação se prendem com a busca de ajuda financeira para o seu país, onde há vários meses o Estado não consegue pagar os salários dos seus funcionários.

Enquanto isso, a Espanha já ofereceu  ao Governo da Guiné-Bissau ajuda técnica e económica para a estabilização do país e para a realização com êxito das próximas presidenciais.
A Guiné-Bissau deverá marcar proximamente eleições para eleger um novo Presidente, no seguimento do assassínio no passado dia 02 de João Bernardo "Nino" Vieira, no cargo desde 2005. 

A Espanha entregou um primeiro contributo de 200 mil euros para a realização das próximas presidenciais, que de acordo com a Constituição guineense deverão decorrer até aos primeiros dias de Maio, isto é, 60 dias após a morte de "Nino" Vieira. 

Madrid mostra-se também está disponível para colaborar com a Guiné-Bissau na reforma do sector da segurança e no combate ao narcotráfico. 

Aliás, considera "fundamental" para a consolidação democrática do país a reforma das forças de segurança guineenses e o estabelecimento de uma nova relação com o poder civil, tarefa em que a União Europeia (UE) trabalha desde 2008, com uma missão liderada com o general espanhol Juan Esteban Verástegui.
Pana