
À primeira vista, o imponente forte, com as suas antigas peças de artilharia, remete ao passado de uma cidade, velha, que se considera ser a primeira construída pelos europeus, neste caso os portugueses, nos trópicos.
Mais abaixo, as ruínas da Sé Catedral ensinam que a Cidade Velha, agora pacata, no interior da ilha de Santiago, 15 quilómetros a oeste da Cidade da Praia, já sofreu muitos ataques, principalmente dos piratas que, nos séculos XVI, XVII e XVIII navegavam pelos mares à procura do que saquear.
A Cidade Velha, ou Ribeira Grande de Santiago, não fugiu à sina de local à beira-mar plantado e à destruição da Sé Catedral, alguns anos após o término da sua construção e ainda hoje se conseguem ver provas disso.
A cidade, que tem no mar a sua principal função, foi erigida no século XV para servir de ponto de abastecimento para o comércio de escravos entre África e América.
A elevação da Cidade Velha a Património Mundial da Humanidade vai ser decidida na próxima reunião do respectivo Comité da UNESCO, marcada para 22 de Junho em Sevilha (Espanha).
A localidade foi porto de chegada dos portugueses em 1460 e, dois anos mais tarde, foi lá criada a primeira cidade do mundo construída por europeus nos trópicos, mais precisamente por Portugal, tornando-se na primeira capital do arquipélago que, mais tarde, seria conhecido por Cabo Verde.
O processo de candidatura da Cidade Velha arrasta-se há vários anos, mas ganhou impulso após a apresentação do “dossier” à UNESCO, a 31 de Janeiro de 2008.
A recuperação do sítio histórico começou nos finais da década de 80, financiados pela cooperação portuguesa, mas principalmente pela espanhola, que já investiu na Cidade Velha mais de cinco milhões de euros, destinados à recuperação dos monumento, reabilitação das moradias mas também à melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes.
Em declarações à Agência Lusa, o presidente do Instituto do Património Cultural cabo-verdiano, Carlos Carvalho, disse que o sentimento é de dever cumprido já que a Cidade Velha “tem todas as condições para ser Património da Humanidade”.
Os habitantes da cidade também aguardam com expectativa a decisão da UNESCO. Quem lá mora acredita que, mais do que reconhecer o valor histórico, a elevação a Património da Humanidade vai permitir melhorar significativamente as condições de vida.
O ministro da Cultura cabo-verdiano, Manuel Veiga, disse à Lusa que está confiante em que a Cidade Velha venha a ser elevada àquele estatuto, tendo em conta o seu valor arquitectónico, mas principalmente o seu valor imaterial.
Manuel Veiga considera que a Cidade Velha tem todas as condições para se tornar património mundial, jogando a seu favor o facto de boa parte da história da escravatura estar ligada a este ponto de transição entre África e a América.
A Cidade Velha foi sede do Governo do arquipélago até 1769, quando perdeu esse estatuto para a então vila da Praia, hoje Cidade da Praia, capital do pais.
Hoje, quer aproximar-se da sua história, sempre ligada ao mar, embora, nalguns casos, pelas piores razões: a escravatura.
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