As eleições presidenciais em Cabo Verde estão agendadas para 2011, ainda que sem data certa, mas já se começam a mexer os potenciais candidatos afectos às duas principais forças políticas do país, o PAICV e o MpD, na qualidade do principal partido da oposição.
Por imperativo da Constituição, o actual Chefe de Estado, o comandante Pedro Pires não poderá concorrer a mais um mandato (já se encontra no seu segundo e último), pelo que o PAICV (partido no poder) terá que apoiar um novo candidato.

Neste momento existem já três candidaturas tornadas públicas, sendo uma delas a do advogado, deputado e antigo ministro da Comunicação Social do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAIGC), David Hopffer Almada. As outras duas são a do actual presidente da Assembleia Nacional de Cabo Verde, também deputado à Nação, Aristides Raimundo Lima e a de Silvino Manuel da Luz, dirigente histórico desta força política e ex-embaixador de Cabo Verde em Angola.

Os três candidatos já estão a medir forças no terreno, ainda que o presidente do PAICV, José Maria Neves, actual primeiro-ministro, venha insistindo em como as eleições presidenciais não constituem a prioridade do seu partido para 2009. Certo é que os candidatos continuam a marcar as suas posições e têm já traçadas as suas estratégias, pelo que José Maria Neves tem tentado desmarcar-se destas estratégias, com o argumento de que «as eleições presidenciais não são de base partidárias».

O antigo ministro da Comunicação Social da Primeira República (de 1975 a 1990), Hopffer Almada conta com a influência da filha, Janira Hppffer Almada, ministra da Presidência do Conselho dos Ministros e dos Assuntos Parlamentares para «caçar» votos para o pai. Além disso, Janira é vice-presidente da Juventude do PAI, pelo que se tem desdobrado em actividades com os jovens um pouco por toda a ilha.

Mas Hopffer Almada tem contra a sua candidatura o facto de ter abandonado o PAICV em 1991 para concorrer às eleições presidenciais na qualidade de candidato independente, contra Pedro Pires à revelia do part
ido, obrigando o actual Chefe de Estado a disputar a segunda volta com Carlos Veiga, candidato do MpD, nas duas eleições presidenciais já realizadas em Cabo Verde. Para muitos, esta posição nunca «agradou» ao presidente do PAICV.

Já a segunda figura da hierarquia política cabo-verdiana, o Chefe da Casa Parlamentar, Aristides Lima, jurista, tem a seu favor o facto de ter sido um deputado «fiel às convicções do partido», do qual foi secretário-geral entre 1993 e 1997. Conta publicamente com o apoio de figuras de peso no partido da «estrela negra», tais como o governador do Banco de Cabo Verde, Carlos Burgo, do antigo presidente da Câmara Municipal da Praia, Felisberto Vieira e de destacados militantes do PAICV. Presidente da Assembleia Nacional desde 2001, data da vitória do seu partido nas eleições legislativas, Aristides Lima tem-se mostrado sereno, ainda que se desdobre em campanhas nas suas missões, dentro e fora do país.

A candidatura do primeiro ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde e combatente histórico nas matas da Guiné durante a luta armada para a libertação da Guiné e Cabo Verde, Silvino Manuel da Luz, goza de boa reputação junto dos militantes de base do seu partido, principalmente junto da chamada geração da independência. Este acredita que teve um papel determinante enquanto embaixador de Cabo Verde em Angola e plenipotenciário na Namíbia, África do Sul, Zimbabwe, Gabão, São Tomé e Príncipe e Moçambique, pelo que está a preparar a sua candidata de fora para dentro do País.

Se em relação ao PAICV são estas as candidaturas com mais probabilidade de acontecer (já que o vice-presidente do PAICV, Júlio Correia, se mostra inseguro quanto à sua intenção de se candidatar ao mais alto cargo da nação), as cartas estão baralhadas do lado do MpD com a entrada do jurista e antigo primeiro-ministro de Cabo Verde, Carlos Veiga para o cargo do presidente desta força política.

Carlos Veiga sempre foi apontado pela direcção do MpD como seu candidato para as presidenciais de 2011, pelo que a sua decisão de concorrer às legislativas de 2010 deixou desorientado o MpD que se desdobra no terreno à procura de um sucessor. O MpD regressou à estaca zero e de momento já se fala em nomes como o jurista Jorge Carlos Fonseca, antigo ministro da Justiça no Governo de Carlos Veiga, da linguista Ondina Ferreira, antiga ministra da Educação e da própria presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Isaura Gomes.
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