
O alfabeto cabo-verdiano, aprovado em Janeiro de 2009, vai começar a ser divulgado em todo o país a partir de meados deste mês através dos órgãos de comunicação social.
Segundo a linguista e directora do Departamento de Ciências Sociais e Humanas do Instituto de Investigação e do Património Culturais de Cabo Verde, Adelaide Lima, a divulgação enquadra-se no programa "Pa Le i Skrebe Lingua Kabuverdianu" (Para Ler e Escrever na Língua Cabo-Verdiana).
A divulgação enquadra-se num projecto do Ministério da Cultura, desenvolvido pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas do Instituto da Investigação e do Património Culturais (IIPC), numa parceria com alguns órgãos de comunicação social do país.
Segundo Adelaide Lima, o programa terá duas fases, uma primeira que pretende apresentar aos cabo-verdianos as letras e os sons que compõem o alfabeto nacional para os conhecerem melhor e poderem os aplicar convenientemente na escrita.
Na segunda fase, acrescentou, o projecto prevê a demonstração aos falantes nacionais das regras do funcionamento da Língua Cabo-Verdiana, de acordo com algumas gramáticas já existentes no país.
O alfabeto Cabo-Verdiano, que substitui o anteriormente denominado ALUPEC (Alfabeto Unificado para a Escrita do Crioulo), é composto por 24 letras e 4 dígrafos, mas Adelaide Lima explicou que as edições a serem apresentadas foram estrategicamente escolhidas.
Segundo Adelaide Lima, os programas radiofónicos e televisivos preparados darão uma atenção especial às letras e aos dígrafos do alfabeto cabo-verdiano que têm algumas particularidades.
A finalidade de toda a estratégia da apresentação, explicou, é a de "tornar claro aos cabo-verdianos "o princípio de que, no alfabeto cabo-verdiano, cada letra corresponde a um só som, bem como esclarecer algumas dificuldades em relação aos dígrafos que, na Língua Portuguesa, apresentam uma significado distinto em relação à Cabo-Verdiana.
Por seu lado, o ministro da Cultura de Cabo Verde, Manuel Veiga, referiu que a divulgação do Alfabeto Cabo-Verdiano, além de permitir o conhecimento desse instrumento de escrita, contribuirá para a diminuição do receio que os cabo-verdianos têm demonstrado em relação à leitura e à escrita do crioulo.
Manuel Veiga disse acreditar ainda que a iniciativa do Ministério da Cultura será "um passo em frente" para se acelerar a oficialização da Língua Cabo-Verdiana, lembrando, porém, que a discussão em torno da questão, que dura há mais de 30 anos, não dependerá exclusivamente da divulgação do alfabeto.
"A oficialização do Crioulo tem de passar pelo Parlamento com aprovação de dois terços dos deputados", justificou Manuel Veiga, mostrando-se confiante de que um consenso no seio do parlamento poderá ser conseguido à volta dessa questão.
O Alfabeto Cabo-verdiano foi instituído oficialmente em Janeiro de 2009, na sequência do Fórum realizado, em Dezembro de 2008, para avaliação dos dez anos de funcionamento do ALUPEC e para perspectivar os caminhos do futuro desse instrumento, aprovado em regime experimental pelo Decreto-Lei nº 67/98 de 31 de Dezembro.
O Alfabeto Cabo-Verdiano funciona como um sistema gráfico nacional para a escrita da Língua Cabo-Verdiana, sendo composto por 24 letras e quatro dígrafos, devendo a ordem das letras figurar antes dos dígrafos.
As letras são as seguintes: A B D E F G H I J K L M N Ñ O P R S T U V X Y Z, enquanto que os dígrafos são: J LH NH TX. Estas mesmas letras e dígrafos possuem também representações em minúsculas. O alfabeto cabo-verdiano está publicado na I Série do Boletim Oficial Número 11, de 16 de Março de 2009.
Público