O assassinato do Presidente e do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau, no início de Março último, deveu-se, "em grande parte", ao tráfico de drogas, disse, anteontem, perante o Senado norte-americano, o sub-secretário de Estado Assistente para África.
Falando numa audiência da Comissão de Negócios Estrangeiros do Senado sobre o tráfico de drogas na África Ocidental, Johnnie Carson disse que a Guiné-Bissau pode agora ser identificada como "o primeiro narcoestado" sujeito a "enorme instabilidade".
"Alguma dessa instabilidade é causada pela confluência de traficantes de droga que ali operam," disse o diplomata.
"Nós acreditamos que o Presidente e o chefe das Forças Armadas foram mortos em grande parte devido às relações que tinham com o financiamento e negócio de drogas," acrescentou Carson referindo-se aos recentes assassinatos de Nino Vieira e Tagmé na Waié.
Antonio Mazzitelli, representante do órgão de combate à droga da ONU na África Ocidental, opinou recentemente, em Washington, que a morte daqueles dirigentes s
e deveu mais a desavenças pessoais que ao tráfico de drogas.
O sub-secretário de Estado frisou que a pobreza e a falta de recursos jogam um papel importante no tráfico de drogas na Guiné-Bissau, país que "tem apenas um produto de exportação: a castanha de cajú".
O PIB do país, disse Carson, equivale ao valor de seis toneladas de cocaína, o que pode ser transportado em "um a dois meses".
"Não há dúvidas que dois ou três grandes carregamentos de cocaína através da Guiné-Bissau têm uma capacidade enorme para corromper a sociedade, a elite política e entidades das alfândegas," disse.
O chefe do sub-comité para África da Comissão de Relações Externas, Russ Feingold, convocou a audiência porque o aumento do contrabando de cocaína através daquela região de África é "alarmante", frisando que a recente instabilidade na Guiné-Bissau ilustra a existência de "um ambiente político volátil e facilmente susceptível ao tráfico ilegal de drogas".
Um relatório da ONU ontem divulgado refere que Portugal foi, em 2006, o sexto país do mundo que mais cocaína apreendeu, um "rápido aumento do tráfico" no país que é apontado como estando relacionado com o narcotráfico na Guiné-Bissau e em Cabo Verde.
Lusa