A Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVC) está com uma capitalização próxima de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do arquipélago, o que representa 25 bilhões de escudos (cerca de R$ 620 milhões).

O presidente da BVC, Veríssimo Pinto, de 31 anos e mestrando da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, reivindicou que a Bolsa cabo-verdiana está entre as mais bem cotadas da África Ocidental e que espera, dentro de quatro anos, duplicar os resultados.

"Neste momento, já estamos com uma capitalização próxima de 25% do PIB cabo-verdiano, se a oferta da Fast Ferry [transportes marítimos, em andamento] tiver sucesso. São 25 bilhões de escudos, o que, em quatro anos, é muito expressivo. Se chegarmos aos 50% dentro de outros quatro anos, então darei por concluído o meu trabalho", afirmou.

Presidente desde que a Bolsa de Valores de Cabo Verde iniciou os trabalhos, em 2005, Veríssimo Pinto ressaltou que, até agora, a BVC conta com quatro empresas cotadas, 12 obrigações de empresas privadas e 14 obrigações do Tesouro.

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"Começamos logo [em 2005] com uma oferta pública de venda das ações da Sociedade Cabo-Verdiana de Tabaco, que é uma empresa muito sólida e que tem pago bons dividendos. Correu bem", ressaltou, lembrando que, desde então, já se realizaram idênticas operações com a Enacol (combustíveis), Electra (energia), ASA (transportes aéreos), Tecnicil (construção civil) e Banco Interatlântico.

"Tudo correu bem e isso deve-se não só à solidez das nossas plataformas, que são utilizadas pelas maiores instituições financeiras em Portugal, como ao quadro fiscal de Cabo Verde, que é extremamente apelativo", declarou.

Veríssimo Pinto disse que as obrigações do Tesouro em Cabo Verde não são tributadas e as das empresas são apenas em 5%. Por outro lado, são isentos de impostos os dividendos, os ganhos de capital
com mais de um ano e os fundos de investimento de qualquer natureza jurídica.

"As sociedades que gerem fundos têm uma tributação extremamente favorável, de apenas 11%. Uma empresa cotada na Bolsa tem uma redução de impostos de 50% durante três anos. Enfim, temos um quadro fiscal apelativo, plataformas seguras e legislação moderna e esses são ingredientes fundamentais no sucesso que temos tido até agora", sintetizou.

Bolsa

Neste contexto, o jovem gestor, natural da Assomada (40 quilômetros a norte da Cidade da Praia), defendeu que o mercado de capitais cabo-verdiano é um bom investimento e é a prova da "modernidade" do país.

"Muitas vezes tem-se a ideia que, nos países menos avançados, a existência de uma Bolsa de Valores é impraticável. Aliás, foi essa ideia que inviabilizou a Bolsa de Valores em 1998. Mas são as economias subdesenvolvidas que mais têm necessidades de capital e a longo prazo", disse.

"E a Bolsa de Valores é o melhor mecanismo para se agregar várias poupanças nacionais e internacionais para o financiamento orgânico das empresas do Estado. É nessas economias que mais se justifica a Bolsa de Valores, porque são essas economias que têm maior especificidade e necessidade de investimento", esclareceu.

Veríssimo Pinto lembrou que, este ano, a BVC tem para colocar no mercado 7 bilhões de escudos (cerca de R$ 174 milhões), depois de, nos primeiros meses do ano, já ter posto 4 bilhões de escudos (cerca de R$ 100 milhões) de vários produtos financeiros, como ações em bancos, no setor imobiliário e até obrigações municipais, "que são instrumentos extremamente seguros", entre outras.

"Temos vários projetos em curso e, se os concretizarmos com sucesso, a crise passa ao lado de Cabo Verde", afirmou, lembrando que o investimento português é "muito importante" e que o arquipélago já reúne todas as condições "para que seja um destino privilegiado de acolhimento de capital externo".

"Há investimentos importantes de Portugal no domínio da banca, seguradoras, construção civil e telecomunicações e abrem-se também as portas para investimentos noutras áreas, como, claro, no domínio do mercado de capitais", pediu. -
Lusa