
O antigo primeiro-ministro guineense Faustino Imbali, detido por alegada tentativa de golpe de Estado, acusou hoje, quinta-feira, os militares de o terem agredido diante da sua família, partindo-lhe cinco dedos, no momento da prisão, a 05 de Junho de 2009.
"Fui batido em casa, diante da minha família, depois fui batido de novo na polícia militar, o meu desejo neste momento é ter oportunidade o mais rápido possível para tratamento", disse Imbali.
O antigo primeiro-ministro começou ontem a ser ouvido pelo Ministério Público da Guiné-Bissau, acusado de ter participado numa tentativa de golpe de Estado contra o Governo do PAIGC, no dia 05 de Junho, numa noite em que a repressão aos "golpistas" causou quatro mortos e foram detidas quatro pessoas.
Imbali estava em casa, "de camisa e calções", quando uma viatura com militares parou à sua porta e o mandaram sair.
Foi agredido, "por militares" que disse nunca ter visto anteriormente.
"As mãos são testemunhas, são cinco dedos partidos", disse Imbali, exibindo as mãos, com marcas de violência.
De casa, foi levado para a prisão da polícia militar, onde esteve algumas semanas e, desde há dias, que está na primeira esquadra da polícia, na capital guineense.
Com o ex-primeiro-ministro, estão detidos o director do Serviço de Informações e Segurança, Antero João Correia, o músico tradicional Domingos Broskia e um terceiro homem, cuja identidade não foi revelada.
Foram todos ouvidos pelo Ministério Público na quarta-feira.
Segundo Silvestre Alves, advogado do ex-primeiro-ministro, o músico tradicional é acusado de ter sido usado por Imbali para aliciar o vice-chefe de Estado-Maior das Forças Armadas interino, António Indjai, a aderir ao golpe de Estado contra o Governo do PAIGC.
No dia 05 de Junho, dois destacados dirigentes do partido no poder, o ex-ministro da Defesa Hélder Proença e o candidato presidencial independente Baciro Dabó, foram assassinados em relação com a alegada tentativa de golpe de Estado.
Faustino Imbali, um reputado sociólogo de 52 anos, desempenhou por poucos meses as funções de primeiro-ministro, de Março de 2001 a Dezembro do mesmo ano, no regime do Presidente Kumba Ialá.
Acusado de desvio cerca de 2,2 milhões de euros doados pela Líbia e pela Nigéria às Forças Armadas, o que negou, Imbali foi exonerado e passou pela cadeia, mas à margem de qualquer acusação formal ou julgamento.
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