A Bolsa de Valores de Cabo  Verde (BVCV) colocou, no primeiro semestre deste ano, 3.500  milhões de escudos (cerca de 31,7 milhões de euros) no mercado  cabo-verdiano, disse hoje à Agência Lusa o presidente da  instituição.  

     Veríssimo Pinto sublinhou que, para uma "pequena bolsa como a cabo-verdiana", os números são "muito bons", salientando que tall se deveu maioritariamente a três operações que, no total, equivalem a 94 por cento de todo o crédito à economia concedido nos últimos seis meses em Cabo Verde.  

     Aquele montante, acrescentou, representa cerca de 3,5 por  cento do Produto Interno Bruto (PIB) de Cabo Verde, estimado em 1.000 milhões de escudos (9.060 milhões de euros).  

     Segundo Veríssimo Pinto, os 3.500 milhões de escudos são oriundos das operações de aumento de capital da Caixa Económica local, das emissões de obrigações da empresa Tecnicil Imobiliária  que, ainda este ano, contará com a venda de acções remíveis, e das obrigações da Câmara Municipal da Praia (CMP).  

     Até ao fim do ano, acrescentou, a bolsa cabo-verdiana conta "colocar" no mercado mais 2.600 milhões de escudos (23,7 milhões de euros) em obrigações em duas operações ligadas também à  banca.  

     Em Junho último, a BVCV já estava com uma capitalização próxima dos 25 por cento do PIB, lembrou Veríssimo Pinto, acrescentando que tal representa cerca de 25 000 milhões de  escudos (cerca de 226 milhõ
;es de euros).  

      O presidente da BVC, Veríssimo Pinto, de 32 anos e mestrando da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, reivindicou que a bolsa cabo-verdiana está entre as mais bem cotadas da  África Ocidental e que espera, dentro de quatro anos, duplicar os resultados, ou seja, atingir uma capitalização próxima dos 50 por  cento do PIB.  

      Presidente desde que a Bolsa de Valores de Cabo Verde  reiniciou os trabalhos, em 2005, após uma paragem de quase sete anos, Veríssimo Pinto referiu que a BVCV conta com quatro empresas cotadas, 12 obrigações de empresas privadas e 14 obrigações do Tesouro.  

     "Tudo correu bem e isso deve-se não só à solidez das nossas plataformas, que são utilizadas pelas maiores instituições financeiras em Portugal, como ao quadro fiscal de Cabo Verde, que é extremamente apelativo", sustentou.

      Segundo Veríssimo Pinto, as obrigações do Tesouro em Cabo Verde não são tributadas e as das empresas são-no apenas em cinco por cento. Por outro lado, são isentos de impostos os dividendos, os ganhos de capital com mais de um ano e os fundos de investimento de qualquer natureza jurídica.   

      "Mais, as sociedades que gerem fundos têm uma tributação extremamente favorável, de apenas 11 por cento. Uma empresa cotada na Bolsa tem uma redução de impostos de 50 por cento  durante três anos. Enfim, temos um quadro fiscal apelativo, plataformas seguras e legislação moderna e esses são ingredientes  fundamentais no sucesso que temos tido até agora", sintetizou.  

      Neste contexto, o jovem gestor, natural da Assomada (40  quilómetros a norte da Cidade da Praia), defendeu que o mercado de capitais cabo-verdiano é um bom investimento e é a prova da  "modernidade" do país. 
Angop