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“Oh DEUS, PARECE QUE NÃO É DESTA VEZ!”
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Por Africanidade
Publicado em 7/11/2009
 
Afronta Maria, Ô Deus, nos acuda e rogai por nós!  Desde a independência, que a Guiné Bissau é governado pelas mesmas pessoas que, no entanto, jamais conseguiram fazer o melhor para este povo e, tampouco, aprenderam com os seus fracassos, pois que é inacreditável e, mais, inadmissível conceber que em  pleno século XXI - era do conhecimento – ainda subsiste governantes analfabetos funcionais e com conhecimento desfasado no topo da vida pública deste país.   Afinal, onde estamos?  Aonde queremos ir ou chegar?


Opinião
Ibraima Baio* 

          Quando li a matéria de entrevista do premiê neste espaço, onde afirmava que em muito breve realizaria a remodelação governamental, com sinceridade, vos digo que fiquei muito feliz e, ao mesmo tempo, ansioso e cheio de expectativas. Naquele momento acreditei que tudo viraria rosa, de modo a possibilitar o casamento dos pares perfeitos. Mas tem parecido que me enganei.

          Afinal, era disso que minha intuição queria me alertar, enquanto eu relutava em ceder mais uma vez a decepção com os governantes guineense. Então, valido do egocentrismo, que certamente sempre fará parte da natureza humana, deixava-me fingir que ainda não aprendera a desacreditar nas pessoas e, suas promessas. O otimismo que alimentava meu ego, restou, por fim, por me gerar profunda tristeza e decepção.

          O argumento do premiê me convenceu, pois considerando o atual contexto sócio – econômico e político que o país atravessa, era ou é pertinente uma verdadeira remodelação que atende aos imperativos desafios, de modo que, possa permitir a reorganização estrutural de nossa pátria, mais que necessário, cogente é formar um governo de colisão nacional que possa atender as exigências globais, possibilitando o início do processo de reconstrução e desenvolvimento do país. Foi por isso que tive esperanças.

          Mas hoje se vê que tudo não passa de uma grande farsa, ou mesmo da ratificação das velhas e conhecidas políticas de tirania e monarquia que sempre reinaram na história infeliz desta pátria. Como não poderia agora ser diferente, mais uma vez vigorou a tática vigarista de “trocar seis por meia dúzia” ou, ainda, de “matar dois coelhinhos numa cajadada só”.

          O passado é lição para refletir, não para repetir, disse certo Mário de Andrade. Mas parece que o premiê não aprendeu com ele. Preferiu “jogar por água abaixo” o tão almejado sonho deste povo, que alimenta de esperança sua vontade de viver.

          Então, resta imperioso indagar: “Será que não existem guineenses competentes, capazes e suficientemente cultos para dar relevantes contribuições para o desenvolvimento urgente deste país?” Ou “Será melhor promover a ignorância para garantir apoios que possam manter certas pessoas no Poder?”.

          Afronta Maria, Ô Deus, nos acuda e rogai por nós!

          Desde a independência, este país é governado pelas mesmas pessoas que, no entanto, jamais conseguiram fazer o melhor para este povo e, tampouco, aprenderam com os seus fracassos, pois que é inacreditável e, mais, inadmissível conceber que em  pleno século XXI - era do conhecimento – ainda subsiste governantes analfabetos funcionais e com conhecimento desfasado no topo da vida pública deste país.

          Afinal, onde estamos?  Aonde queremos ir ou chegar?

          Esta pergunta parece não ter resposta e só o diabo sabe responder.

          Ao Sr. premiê, oportuno seria despertá-lo para o conhecimento de que é preciso romper com o nosso passado, o que não significa abandonar nossa história, mas assimilar nova filosofia de viver. É assim que poderemos dar respostas aos novos desafios. Diz, para tanto, Milton Berle: “Se a oportunidade não bate, construa uma porta”. E hoje podemos dizer que nossa “porta” está construída. Só é preciso de um pouco mais de coragem para abrí–lá. Ademais, o compromisso de um governante deve ser com seu próprio povo, não com pessoas singulares.

          Em suas aparições públicas, o premiê justificou a necessidade de remodelação governamental, inspirado na filosofia clássica de futebol, ao que argumentou que o “time que não ganha, deve-se mexer” para proporcionar maior dinamismo e produtividade ao elenco.

          Tal convicção tem por objetivos dar respostas aos novos desafios que o país enfrenta, dentre os quais, o da reconciliação nacional, da reforma da segurança pública e defesa nacional, reforma da administração pública, do combate à impunidade e a intolerância, à corrupção e do relançamento econômico, para fins de garantir a estabilidade e o equilíbrio da justiça e paz social no país.

          No entanto, pergunto que mudança é essa em que se escala o centroavante para jogar de goleiro, ou o volante para jogar na zaga?

          Dar oportunidade aos jovens guineenses qualificados - forças motrizes do desenvolvimento e sem envolvimento com passado doloroso deste país -, promover o diálogo constante e permanente com toda a força-viva de Guiné-Bissau; valorizar o conhecimento, promover a honestidade, ser humilde e oportunizar a exploração máxima do potencial de cada cidadão é, senão o caminho mais prospero, o mais certo para se chegar ao lugar onde tem direito e quer viver cada filho deste pais.

          Sem mais, estas, mais do que orientações, são as vozes de fidelidade dos diversos cidadãos que, tal como eu, orgulham-se de ter esta pátria como Mãe.
         *  Pós – graduado em Contabilidade e Finanças (Universidade Federal do Paraná –      UFPR, maio/    2009).
             *  Graduado em Administração (Universidade da Amazônia - UNAMA, fevereiro/2008).