O primeiro presidente de Cabo Verde, Aristides Pereira, afirmou que o seu sonho de "independência, democracia e desenvolvimento" está cumprido e elogiou a "nova geração" do PAICV, liderada desde 2000 por José Maria Neves.  

"O meu sonho está cumprido. O sonho da independência, da democracia e do desenvolvimento está cumprido", afirmou Aristides Pereira, sem mais nada falar, mas visivelmente emocionado, pois acabara de ser homenageado na abertura do XII Congresso do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).  

Aristides Pereira está afastado da vida política activa há quase 20 anos, depois de presidir à ala cabo-verdiana do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), de 1975 a 1981, e ao PAICV, de 1981 a 1991.
 
Presidente de Cabo Verde entre 1975 e 1991, ano das primeiras eleições multipartidárias no país, Aristides Pereira, nascido na Cidade da Praia a 17 de Novembro de 1923 (86 anos), foi hoje longamente ovacionado de pé na abertura do conclave.  

Também já visivelmente debilitado fisicamente, facto que assumiu, Aristides Pereira aguentou as mais de duas horas de duração da abertura do conclave e ouviu, atento, a
intervenção de quase 70 minutos de José Maria Neves, que dedicou os primeiros vinte à figura do antigo presidente do PAICV.  

"Aristides Pereira e os seus camaradas cumpriram [com a conquista da independência e com a construção do Estado de Cabo Verde]. Cumpriram com decência, honestidade e patriotismo. Esta nova geração do PAICV está e vai continuar a estar com esse Compromisso de Amílcar Cabral perante Cabo Verde, perante o mundo", disse o líder do partido no poder.

Para José Maria Neves, homenagear "um dos principais protagonistas da história de Cabo Verde" é homenagear também todos os antigos combatentes que ficaram pelo caminho, "sacrificando a sua vida pela liberdade".  

"Ensinaram-nos a trilhar os caminhos da liberdade. Não vos desapontaremos", acrescentou, insistindo várias vezes na frase "com decência, honestidade e patriotismo".  

No final, enquanto era ovacionado de pé, Aristides Pereira emocionou-se e chorou, "fugindo"  aos jornalistas, sempre "amparado" por uma multidão de militantes do partido que o deixaram na sua viatura, permitindo o regresso a casa.  
 
Figura ímpar da história da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, Aristides Pereira foi um dos fundadores do PAIGC, depois de se juntar a Amílcar Cabral e outros dirigentes de então para idealizar a independência das duas antigas colónias portuguesas, tendo privado com os principais líderes mundiais.
Angop