Presidente da Frente de Libertação do Estado de Cabinda, FLEC, Nzita Tiago, escreveu ao presidente angolano, José Eduardo dos Santos, a propor o «início de um processo de diálogo» e sugere o estatuto de Confederação para Cabinda.
Num documento datado de 26 de Março o Presidente da FLEC propõe ao Chefe de Estado angolano o «início de um processo de diálogo franco e aberto sem desenvoltura mais fraternal».

Para Nzita Tiago, como «parte das negociações» com Angola visando um Estatuto político para Cabinda, é incontornável ter em consideração as particularidades históricas e económicas do enclave de onde «as receitas em divisas do Estado angolano provêm maioritariamente».

O líder da FLEC defende para Cabinda um «Estado independente no âmbito da Confederação de Angola» e sublinha que é uma forma de Estado que se define «como uma união politica entre dois ou mais Estados, fundada num acordo internacional, que cria entre eles laços permanentes».

Na mesma carta Nzita Tiago expõe como base preliminar negocial Cabinda ser dotada de uma Constituição própria, assim como de um Parlamento e um Governo «chefiado por um Primeiro Ministro» nomeado após eleições «em todo o território». Defende também um «poder judicial próprio» assim como exército constituído pelas FAC (Forças Armadas Cabindesas – ala armada da FLEC) e que «relações particulares de colaboração poderão vir a ser seladas com as Forças Armadas Angolanas (FAA)», além de polícia e administração exclusiva para Cabinda.

Segundo o mesmo documento dirigido a José Eduardo dos Santos, o líder da FLEC propõe três áreas de colaboraç&atil
de;o com Angola no quadro de uma Confederação. Na defesa, devem, segundo Nzita Tiago, «concordar sobre um comando militar central» que poderá definir «missões militares conjuntas». Segurança, com base no estabelecimento de «relações de segurança de ambas as partes». E por fim, o assunto que «terá lugar de destaque nas futuras negociações entre Cabinda e Angola», frisa Nzita, o Petróleo, que com a ajuda de especialistas, «será discutido o desenvolvimento de uma parceria benéfica entre as duas partes».

Este documento, já enviado ao Chefe de Estado angolano, surge após várias consultas de parceiros internacionais, entre os quais a França. Numa carta datada de 13 de Julho de 2009, dirigida a Nzita Tiago, Stéphane Gompetz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês afirma que a França, no seio da União Europeia, está atenta à situação no enclave e «lamenta que o Memorando de Entendimento para a Paz e Reconciliação na província de Cabinda, assinado a 01 de Agosto de 2006, não trouxe a pacificação esperada».

Stéphane Gompetz, após lembrar que os Acordos de Alvor integraram Cabinda em Angola, afirma que o MNE francês «é favorável a todas iniciativas que permitam chegar ao diálogo» e expressa a sua satisfação da FLEC estar a favor de abrir «negociações com o Governo angolano».

Em Dezembro de 2008 também Charlotte Montel do MNE francês escreveu a Nzita Tiago onde afirmou que a França é favorável a uma solução «política consensual» para Cabinda no «respeito da soberania e integridade territorial de Angola». Para Charlotte Montel o MNE francês encoraja uma «concertação entre, de um lado, os diferentes representantes da sociedade civil e da vida politica cabindesa, e de outra, o Governo angolano.»

Em ambas as cartas o MNE francês, de uma forma explícita e de forma indirecta, reconhecem oficialmente o fiasco do Memorando de Entendimento assinado por António Bento Bembe em 2006, e defende negociações com Angola.
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