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Hélder Vaz primeiro diretor geral da CPLP quer dar mais visibilidade à lusofonia
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Por Emilio Borges
Publicado em 31/01/2008
 
Hélder Vaz, diz que quer acabar com a "indiferença" da comunicação social em relação à lusofonia para chegar aos cidadãos dos "oito" países membros.


Notícia
Hélder Vaz foi hoje empossado como primeiro director geral da CPLP, cargo que substitui o de secretário-executivo adjunto até agora desempenhado pelo embaixador português José Tadeu Soares.

Para Luís Fonseca, secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa a nova direcção visa dinamizar e operacionalizar a organização e por outro lado, libertar o secretario executivo para funções mais especificas.

Fonseca adiantou que uma das prioridades é reorganização do secretariado dando-lhe maior capacidade e coerência, atendendo aos desafios futuros, destacando o plano estratégico de cooperação para a saúde, o portifólio dos projectos culturais, bem como o plano de cooperação a médio e longo prazos com a União Europeia.

O novo director geral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o guineense Hélder Vaz, diz que quer acabar com a "indiferença" da comunicação social em relação à lusofonia para chegar aos cidadãos dos "oito" países membros.

"Penso que a lusofonia é uma responsabilidade comum dos cidadãos e das instituições, mas também dos órgãos de comunicação social. Uma das minhas intenções é mobilizar a comunicação social para que faça parte da CPLP", afirmou o ex-ministro guineense Hélder Vaz.

O "apoio" da comunicação social é, afirma, fundamental para alcançar a "visibilidade" que têm por exemplo a Commonwealth britânica e a Francofonia.

"Terá de ser através da comunicação social que chegaremos ao público em geral, não há outra forma. As pessoas hoje têm uma percepção clara de que a União Europeia é uma comunidade a que pertencem, mas estão longe de ver a CPLP enquanto tal", defendeu.

"É preciso que a lusofonia se sinta partilhada, que os cidadãos se sintam lusófonos. Por exemplo, se houvesse liberdade de circulação em todo o espaço lusófono, as pessoas iriam sentir-se de fato parte de uma comunidade. Mas como é irreal implementar isto neste momento, há que encontrar outras maneiras", referiu.

Exemplo destas novas "maneiras", diz, são os projectos em andamento para a criação de um regime de protecção consular comum aos "oito" países-membros e também de um novo estatuto do estudante lusófono.

"O progresso dos laços da lusofonia é do interesse de todos nós. É preciso colocar em prática estratégias e acções para que na vida de cada cidadão isso se traduza em benefícios concretos", afirmou Hélder Vaz, que deixa a UCCLA - União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas, onde era assessor do Presidente e Coordenador do Departamento de Relações Internacionais.

A decisão de pôr fim ao cargo de secretário-executivo adjunto foi tomada na Cúpula de Bissau, em Julho de 2006, com o objectivo de dar ao "braço direito" do secretário executivo Luís Fonseca um perfil menos político e mais operacional.

Segundo Hélder Vaz, o director geral terá em primeiro lugar de executar "o conjunto vasto de decisões" saídas dos principais fóruns da comunidade, como as cúpulas e os conselhos, mas não abdica de tomar iniciativas.

Entre as principais competências do director geral está, seguindo os estatutos da CPLP, acompanhar a preparação do orçamento e a sua execução.

É ainda responsável por preparar e coordenar a realização de reuniões, bem como acompanhar a execução dos projectos da responsabilidade do secretariado, além de assegurar a gestão administrativa e patrimonial do secretariado.

Hélder Vaz afirma-se motivado para assumir o cargo afirmando que "também sonha com uma lusofonia que nos una na diversidade e que seja um factor de progresso, prosperidade e bem estar, tangível na vida de cada cidadão.

Hélder Vaz, 45 anos, é licenciado em Filosofia pela Universidade Católica Portuguesa e mestre em Administração e Gestão Pública, na Universidade de Albany, nos Estados Unidos.

Foi deputado da Assembleia Nacional da Guiné-Bissau, presidente do Grupo Parlamentar da RGB-MB (Resistência da Guiné-Bissau - Movi Movimento Bafatá) e mais tarde presidente do mesmo partido.

O ponto alto da sua carreira política deu-se em 2000, quando assumiu o cargo de ministro de Estado e da Economia e Desenvolvimento Regional no primeiro Governo de Coligação constituído no seguimento da crise político militar na Guiné-Bissau.

Após a extinção do RGB e uma derrota nas eleições legislativas de 2004, às quais se candidatou numa grande coligação de partidos da oposição, Hélder Vaz abandonou a política activa e regressou a Portugal.