
Apesar das dificuldades climatéricas, é um dos mais promissores países africanos.
Cabo Verde festeja hoje 35 anos de independência com motivos para sentir orgulho: relatórios internacionais apontam esta república de língua oficial portuguesa como um caso exemplar no contexto africano. É um país onde a democracia funciona, a alternância política se tornou uma realidade, o investimento estrangeiro começa a frutificar, nomeadamente no turismo, e as relações com a antiga potência colonial são excelentes. Portugal é o maior parceiro comercial desta sua ex-colónia, que se tornou independente a 5 de Julho de 1975. Portugal é também o principal destino da emigração cabo-verdiana. E muitos jovens de Cabo Verde estudam nas universidades portuguesas.
Foram anos de duras conquistas, dificultados pela inclemência do clima. Apesar disso, o balanço é positivo: a taxa de alfabetização cabo-verdiana é hoje de 83,8% (98% entre os jovens), a expectativa de vida oscila entre os 69 anos (para os homens) e os 75 anos (para as mulheres) e - o dado mais significativo - Cabo Verde situa-se actualmente em nono lugar no índice de desenvolvimento dos países africanos. O crescimento económico em 2009 foi de 8,9%.
Em 1975, as circunstâncias eram muito diferentes. Cabo Verde passou os primeiros seis anos de existência associado à Guiné-Bissau. Fora o PAIGC, liderado pelo cabo-verdiano Am&ia
cute;lcar Cabral, a conduzir a luta contra o domínio português na Guiné, englobando nessa luta a então província ultramarina de Cabo Verde, onde nunca houve guerra mas o sentimento autonomista era muito forte, remontando pelo menos à década de 30, com movimentos culturais como o Claridade, fundado na cidade do Mindelo reunindo uma plêiade de escritores. Entre eles Manuel Lopes, Jorge Barbosa e Baltasar Lopes da Silva.
Mas a união com a Guiné- -Bissau terminou logo após o golpe de Estado de Novembro de 1980, liderado por Nino Vieira, que derrubou o presidente Luís Cabral, irmão de Amílcar. Enquanto a Guiné-Bissau se tornou um protótipo de "Estado falhado", presa de redes de narcotráfico e palco de sucessivos golpes de Estado sangrento, Cabo Verde foi singrando o seu caminho, com passos lentos mas determinados. O sistema de partido único terminou em 1990. No ano seguinte, realizaram-se as primeiras eleições multipartidárias, dando a vitória ao Movimento para a Democracia, principal força da oposição. Hoje o PAICV - sucessor do PAIGC - está no poder: as regras democráticas são aceites sem contestação. O Presidente da República, também oriundo das fileiras do PAIGC, é Pedro Pires, um dos heróis da independência.
Também no plano cultural os cabo-verdianos têm motivos para sentir orgulho deste seu percurso de 35 anos. Uma cantora como Cesária Évora levou a canção nacional das ilhas - a morna - aos quatro cantos do mundo. E a literatura de Cabo Verde mantém-se pujante, com notáveis escritores como o romancista Germano Almeida e o poeta Arménio Vieira, galardoado já este ano com o Prémio Camões.
Pedro Correia - in DNGlobo