A Alta Comissária
para a Imigração e Diálogo Intercultural
considera que o segundo Plano de Integração para os imigrantes é
"ambicioso e realista", destacando a intervenção nos idosos e na
diversidade cultural.
O novo plano,
aprovado em Conselho de Ministros no passado dia 12 e em vigor até 2013, é o
segundo do género, mas "não deixa de ser ambicioso, atual e realista
perante a realidade do nosso país", afirmou Rosário Farmhouse à Agência
Lusa.
Com 90 medidas
propostas divididas por 17 áreas de intervenção diferentes, o plano abrange 14
ministérios e a sua execução será avaliada com base nos "indicadores e
metas concretas" de cada medida.
Rosáro Farmhouse
destacou como novidade a intervenção junto dos idosos imigrantes, uma população
que sofre por vezes de uma dupla exclusão.
"Fomo-nos
apercebendo de que alguns imigrantes que chegaram na década de 1960, já numa
idade madura, neste momento são idosos e muitos deles ficaram numa situação de
exclusão social, quer fosse por desconhecimento [de medidas de apoio], por
terem ficado isolados ou por já não terem família", indicou.
A intervenção do
plano será para lhes dar "acesso a informação" porque "podem
perfeitamente ser [cidadãos] portugueses porque reúnem as condições mas nunca
chegaram a tratar disso", afirmou.
"É uma faixa
etária um pouco nova para nós", salientou, porque o fluxo de imigrantes
para Portugal continua a ser "jovem, entre os 30 e os 40 anos".
Além dos idosos, o
novo plano tem medidas para promover "a diversidade e a
interculturalidade", consideradas "extremamente importantes"
numa altura de "crise económica profunda", para "prevenir
movimentos discriminatórios, racistas e xenófobos", afirmou Rosário
Farmhouse.
Entre algumas das
metas a realizar está apoio humanitário a 50 mil imigrantes em situação de
pobreza extrema, contratação anual com as autarquias de um número de casas para
imigrantes, uma alteração legislativa para garantir apoio judiciário a
imigrantes, reforço das capacidades de intervenção da Comissão para a Igualdade
e Contra a Discriminação Racial e alargamento do atendimento dos Centros
Nacionais de Apoio ao Imigrante.
A aplicação do plano
será "validada" a cada seis meses junto de todos os ministérios que
abrange e anualmente será feito um relatório sobre o cumprimento dos objetivos.
O anterior plano, que
vigorou desde 2007, tinha 140 medidas, que foram avaliadas como cumpridas em
"81 por cento". O acompanhamento da execução deverá também ser
"mais rápido" com a ajuda de uma "plataforma digital" que
está a ser elaborada, afirmou a Alta Comissária.
Até 2013, poderão ser
feitos ajustamentos, porque o plano "não é estanque" e "o que
vale hoje pode não valer da mesma maneira até 2013", acrescentou.
Paulo Mendes, da
Plataforma de Estruturas Representantes das Comunidades Imigrantes em Portugal
(PERCIP), disse à Agência Lusa que os indicadores do plano são "fáceis de
atingir", mas "depois o problema é perceber o real impacto na vida das
pessoas".
Um dos aspetos que
espera ver melhorado é "o acesso à cidadania e à participação
política", defendendo que se devia "ir mais longe e permitir a
participação de imigrantes em eleições, não só locais".
Jornal "I"