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Cova da Moura: Já se espera a legalização das casas há três décadas

  • Por Africanidade
  • Publicado 1/09/2010
  • Actualidade
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Notícia

Ao longo dos anos várias associações têm trabalhado em conjunto para criar respostas sociais no bairro habitado maioritariamente por africanos.

 

No bairro da Cova da Moura, em Lisboa, a esperança convive num espaço degradado, onde há três décadas se espera a legalização das casas. O Projecto Bairros Críticos mal saiu do papel devido aos atrasos do plano de pormenor.

 

Os fios de electricidade perdem-se num novelo emaranhado, a falta de grelhas entope as sarjetas de lixo, a ausência de asfalto e de passeios lembra tempos antigos, mas ao fim-de-semana há sempre festas africanas, animadas por moradores que ambicionam pela entrada em vigor do plano de pormenor, anunciado há cinco anos. "Falta o plano de pormenor para dar outra dignidade ao bairro e às pessoas que têm esperança de legalizar as suas casas há mais de 30 anos. Os moradores podem votar, pagam impostos e construíram aqui uma casa, que muito dificilmente um dia há-de ser deles", queixa-se Domingos Pereira, da Associação de Moradores do Bairro Cova da Moura, citado pela Lusa.

 

O concurso para a elaboração do plano encontra-se na fase final, estimando-se que a adjudicação aconteça entre Setembro e Outubro. Só depois se conhecerá o rumo da requalificação da Cova da Moura. A obra física perspectivada pelo projecto é ainda diminuta, embora a escola primária esteja a ser alvo de uma intervenção. Há já algumas ruas alcatroadas e recolha de lixo.

 

Segundo Godelieve Mersshaert, da Associação Moinho da Juventude, a nível social o Projecto Bairros Críticos trouxe alguns projectos ao bairro, embora considere que muito desse trabalho já esteja a ser desenvolvido pelas associações há vários anos. A responsável aponta a importância da resolução das questões da propriedade do terreno onde está inserido o bairro.

 

Emílio Teixeira, presidente da comissão de moradores, aguarda por melhores condições das ruas, arruamentos mais limpos e com saneamento, água, luz e gás canalizado. O estigma vai diminuindo. Já não se ouve falar das "grandes operações policiais". No bairro começam a prosperar negócios como a venda do grogue (aguardente de cana) Santo Antão, que João Rocha importa de Cabo Verde e que exporta para a Holanda e Luxemburgo, e que é procurado por muitos visitantes que se deslocam à Cova da Moura para o comprar.

DN

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