No bairro da Cova da
Moura, em Lisboa, a esperança convive num espaço degradado, onde há três
décadas se espera a legalização das casas. O Projecto Bairros Críticos mal saiu
do papel devido aos atrasos do plano de pormenor.
Ao longo dos anos
várias associações têm trabalhado em conjunto para criar respostas sociais no
bairro habitado maioritariamente por africanos.
No bairro da Cova da
Moura, em Lisboa, a esperança convive num espaço degradado, onde há três
décadas se espera a legalização das casas. O Projecto Bairros Críticos mal saiu
do papel devido aos atrasos do plano de pormenor.
Os fios de
electricidade perdem-se num novelo emaranhado, a falta de grelhas entope as
sarjetas de lixo, a ausência de asfalto e de passeios lembra tempos antigos,
mas ao fim-de-semana há sempre festas africanas, animadas por moradores que
ambicionam pela entrada em vigor do plano de pormenor, anunciado há cinco anos.
"Falta o plano de pormenor para dar outra dignidade ao bairro e às pessoas
que têm esperança de legalizar as suas casas há mais de 30 anos. Os moradores
podem votar, pagam impostos e construíram aqui uma casa, que muito dificilmente
um dia há-de ser deles", queixa-se Domingos Pereira, da Associação de
Moradores do Bairro Cova da Moura, citado pela Lusa.
O concurso para a
elaboração do plano encontra-se na fase final, estimando-se que a adjudicação
aconteça entre Setembro e Outubro. Só depois se conhecerá o rumo da requalificação
da Cova da Moura. A obra física perspectivada pelo projecto é ainda diminuta,
embora a escola primária esteja a ser alvo de uma intervenção. Há já algumas
ruas alcatroadas e recolha de lixo.
Segundo Godelieve
Mersshaert, da Associação Moinho da Juventude, a nível social o Projecto
Bairros Críticos trouxe alguns projectos ao bairro, embora considere que muito
desse trabalho já esteja a ser desenvolvido pelas associações há vários anos. A
responsável aponta a importância da resolução das questões da propriedade do
terreno onde está inserido o bairro.
Emílio Teixeira,
presidente da comissão de moradores, aguarda por melhores condições das ruas,
arruamentos mais limpos e com saneamento, água, luz e gás canalizado. O estigma
vai diminuindo. Já não se ouve falar das "grandes operações
policiais". No bairro começam a prosperar negócios como a venda do grogue
(aguardente de cana) Santo Antão, que João Rocha importa de Cabo Verde e que
exporta para a Holanda e Luxemburgo, e que é procurado por muitos visitantes
que se deslocam à Cova da Moura para o comprar.
DN