A missão médica portuguesa apoiada Instituto Marquês de Valle Flor que se encontra em São Tomé e Príncipe manifestou-se bastante impressionada com o elevado índice de casos de surdez profunda nas crianças do arquipélago.  

João Passo, que chefia a missão composta por cinco especialistas em Otorrinolaringologia da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa e que se encontra em São Tomé no âmbito do projecto "Saúde para Todos Especialidades", disse ter detectado alguns "casos irreparáveis" nas consultas que tem feito.

Há uns casos que me estão a impressionar, nomeadamente os tumores, mas o que mais me marcou é o número de crianças com surdez profunda difícil de tratar", explicou o especialista português.  

Estes casos, disse, estão a provocar "exclusão social" dessas crianças, sobretudo em idade escolar e a solução pode "passar pela aplicação de próteses".

"São crianças que não vão poder falar nunca se não for feita alguma coisa", disse João Passo, acrescentando que "com a aplicação de uma prótese auditiva bem feita, é possível recuperar a audição parcial dessas crianças".

O Instituto Marquês de Valle Flor retomou no principal hospital do arquip&eac
ute;lago, Ayres de Menezes, exames de audição, cerca de vinte anos depois da suspensão do serviço devido à danificação dos aparelhos que existiam.  

O médico referiu também que a aquisição de próteses auditivas para essas crianças "é possível através da parceria com Instituto Marquês de Valle Flor, que pode fazer a sua aplicação localmente.  

O chefe da missão apela para que seja criada no país uma escola de língua gestual para essas crianças, que correm "o risco de lhes acontecer o pior".

O médico excluiu a possibilidade de enviar as crianças para receberem tratamento em Portugal, alegando que é preciso reforçar as estruturas internas para responder a esses casos.

"Isto não é uma questão que se resolve enviando doentes para Portugal, é uma situação que tem de que ser  resolvida aqui (em São Tomé) criando estruturas e equipamentos de alta definição, o que hoje é bastante fácil", acrescentou João Passos, para quem a transferência de doentes para Lisboa deve ser feita apenas nos casos em que é necessário radioterapia ou quimioterapia.  

A missão da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa consultou centenas de pacientes e realizou mais de vinte cirurgias, tendo aconselhado as autoridades de saúde são-tomenses a desenvolver campanhas de sensibilização e rastreio em todo o arquipélago.  

Em Maio, outra missão dessa especialidade deverá se deslocar a São Tomé.
Angop