Eleições Presidenciais de 2011, conforme se previra, reclamam, hoje, toda a atenção da opinião pública cabo-verdiana. Igualmente, polarizam as atenções dentro dos dois principais  partidos políticos cabo-verdianos.  Quem será o quarto Presidente da República de Cabo Verde? Certeza certa, é que estão perfilados cinco pré-candidatos, sendo três da esfera do PAICV (o Partido mais votado das Legislativas de 6 de Fevereiro), e dois da órbita do MpD (o segundo mais votado).
Perfilam-se cinco mais que possíveis candidatos: Amílcar Spencer Lopes (antigo Presidente da Assembleia Nacional), Aristides Raimundo Lima (Presidente cessante da Assembleia Nacional), David Hopffer Almada (deputado cessante eleito pelas listas do PAICV), Jorge Carlos Fonseca (antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, no Governo do MpD) e Manuel Inocêncio Sousa (ministro cessante de Estado e das Infra-estruturas, Transportes e Telecomunicações).

Antes, apontavam-se mais três: Isaura (“Zau) Gomes, Jack Monteiro e Silvino da Luz.

Estes parecem ter desistido. Ultimamente, fala-se em três prováveis candidatas: Cristina Fontes Lima, Helena Semedo e Ondina Ferreira. Estas parecem vir tarde demais.

Esbatidos na remota possibilidade ficaram Carlos Veiga e José Maria Neves, depois de terem jurado não estar interessados em concorrer para as Eleições Presidenciais de 2011.

Diante deste quadro, são os cinco Presidenciáveis, três do campo gravítico do PAICV (Aristides Raimundo Lima, David Hopffer Almada e Manuel Inocêncio Sousa) e dois da esfera gravítica do MpD (Amílcar Spencer Lopes e Jorge Carlos Fonseca), aqueles que prendem os olhares dos cabo-verdianos.

Não ficou, ainda, assente como e quando o MpD anunciará o seu apoio a um dos seus dois Presidenciáveis.

Mergulhado ainda no torpor da derrota eleitoral de 6 de fevereiro último, este Partido (o segundo mais votado), cujos estatutos, no seu artigo 23º. ponto 2, alínea e), rezam que compete especialmente à Direcção Nacional aprovar as propostas de apoio a candidato a Presidente da República,   ainda não definiu junto à sociedade se tal decisão será a nível dos seus órgãos dirigentes ou através de uma ampla consulta aos seus militantes, assente que, diante das circunstâncias, ela não se fará apenas com a expressão (única) da vontade do líder do MpD.

JOSÉ MARIA NEVES IMPEDIDO DE VOTAR

No PAICV, o Regulamento aprovado pela Comissão Política, na passada sexta-feira, 18, prevê que os candidatos apresentem, em 30 minutos, os fundamentos e as motivações da sua candidatura junto aos membros do Conselho Nacional.  As exposições são seguidas  por um período de 15 minutos, de molde a que cada  pretendente responda às eventuais perguntas. O documento exclui debate entre os candidatos, mas, no caso de nenhum dos candidatos obtiver a maioria absoluta, os dois mais votados disputaram a segunda volta, que tem lugar, logo a seguir à primeira votação.

Diante disso, os conselheiros elegem, em voto secreto, o candidato apoiado pelos “Tambarinas”  ao Palácio do Platô.

Curioso nisso tudo, é que o presidente PAICV, José Maria Neves, não vota na escolha do Presidenciável, por não ser membro do Conselho Nacional – órgão máximo entre os Congressos -, dirigido por Jorge Lopes.


Esta «decisiva Reunião» do Conselho Nacional, foi marcada para o dia 10 de Março, na Assembleia Nacional (na Praia), com a participação plena de quase uma centena de conselheiros.

Uma sondagem da MGF Estudos e Sondagens, assinada por Guilherme Flôr, revela que se as Eleições Presidenciais fossem agora, Aristides Raimundo Lima seria o candidato mais votado e com mais preferência do eleitorado, tanto nas ilhas de Sotavento, como nas ilhas de Barlavento.

Com alguma distância, seguem-lhe David Hopffer Almada e Jorge Carlos Fonseca.

Com menos express&at
ilde;o nas intenções dos eleitores estariam Manuel Inocêncio Sousa e Amílcar Spencer Lopes.

Esta mesma sondagem mostra, ainda, que Aristides Raimundo Lima tem a preferência dos que votaram pelo PAICV nas Eleições Legislativas de 6 de Fevereiro, o que não deixa de ser um dado importante para a análise sociológica do voto no seio do Partido “Tambarina”.

Aliás, entre os votantes no PAICV, as preferências repartem-se assim:  Aristides Raimundo Lima (32,7 por cento - %), David Hopffer Almada (25%) e Manuel Inocêncio Sousa (14,2%).

Explica-se tal preferência pelo histórico de lealdade para com o PAICV.

A par disso, pela sua trajectória, postura e acção, Aristides Raimundo Lima é conhecido e reconhecido por todos como sendo um homem de princípios e valores ligados ao Estado de Direito Democrático.

A maioria dos cabo-verdianos parece ver nesta personalidade a figura que melhor se assenta no perfil do próximo Presidente da República. Ele incarna a ideia de um Estado que se rege por normas e princípios e não por interesses conjunturais ou pela vontade de grupos de pressão.

POR ENTRE “AMOR E ÓDIO”  

O fenómeno de crescimento de David Hopffer Almada também não deixa de ser notável. Lidando com um passado de «amor e ódio» com o PAICV, por dois momentos políticos muito especiais – o primeiro, em 1991, quando, indignado com o «escândalo do Jornal África», tornou-se deputado independente da Bancada Parlamentar do PAICV, - na altura, em minoria, e, o segundo, em 2001, preterido no apoio como candidato Presidencial a favor de Pedro Pires, recusou-se a «indicar voto útil» para o actual Presidente da República, na altura a disputar a segunda volta com Carlos Veiga.

Nos próximos dias,  iremos saber se as feridas abertas já foram completamente saradas. Por ser uma personalidade sensível e hábil, David Hopffer Almada aparenta seguir em frente com a sua ambição de se candidatar ao Palácio do Platô.

Jorge Carlos Fonseca surge como uma das alternativas que o campo gravítico do MpD poderá formular, logo depois deste Partido ter perdido as Eleições Legislativas com o PAICV em saldo negativo de mais de 23 mil votos.

Em primeiro lugar, porque é um grande intelectual e tem investido no discurso de coabitação institucional com o Partido ganhador das Legislativas. E, depois, porque tem suficiente distanciamento a Carlos Veiga para não se colocar completamente nos efeitos indutores da derrota recente.

DATA ELEITORAL POR CONSENSUALIZAR

Manuel Inocêncio Sousa, uma das figuras centrais da «geração de José Maria Neves», no quadro do PAICV, é visto pela sociedade como  homem probo e austero, passando a imagem que o Estado cabo-verdiano reforçará o seu prestígio quer junto da sociedade local, quer no plano internacional.

Tal prestígio pode ser a condição da mobilização de energias e recursos para o Processo de Desenvolvimento de Cabo Verde. Além disso, ele goza de aliados em qualidade e número entre os membros do Conselho Nacional e dentro da Comissão Política do PAICV, algo que o torna «forte candidato» a nível da cúpula dirigente, já que os outros dois da esfera “Tambarina” não têm ali voto.

Por último, mas não menos importante, estaria Amílcar Spencer Lopes, tido como próximo - muito próximo mesmo! -, a Carlos Veiga.

Assim como Aristides Lima, ele também já foi Presidente da Assembleia Nacional (Parlamento), durante os anos noventa. É um candidato que inspira a cúpula dirigente do MpD, embora nesse campo tenha de dividir os intelectuais internos com Jorge Carlos Fonseca.

Prevê-se que o pleito eleitoral, considerando a Constituição da República, tenha lugar no mês de Agosto, embora período das chuvas e das férias.

Provavelmente, seja em Setembro se houver consenso sobre a data a ser fixada pelo Presidente da República cessante, Pedro Pires, impossibilitado de mais uma candidatura, por imperativo constitucional – cumpre o seu segundo mandato consecutivo.

A candidatura Presidencial é de base não partidária, mas as dinâmicas dos partidos já começaram a funcionar.

Só se espera que os partidos, em suas lógicas intestinas, não alienem a vontade dos cidadãos. Em tese, “o povo é quem mais ordena!”.
A Nação