A Guiné-Bissau e a Guiné-Conakri estão a servir como uma das duas principais plataformas de transbordo de drogas latino-americanas com destino à Europa, segundo a Organização Internacional para o Controlo de Estupefacientes, das Nações Unidas.

Segundo o relatório da Organização referente ao ano de 2010, o "modus operandi" dos traficantes é transportar carregamentos de cocaína por navio, depois descarregados para embarcações mais pequenas próximo da costa da África Ocidental, que são depois levados para a Europa através de países como Espanha e Portugal.

Grandes carregamentos de cocaína são também enviados para vários destinos da África Ocidental em aviões modificados provenientes do Brasil e Venezuela, salienta o relatório.

"Os traficantes da África Ocidental traficam depois a cocaína com destino à Europa, normalmente usando serviços de correio aéreo comercial e frequentemente recebendo uma quantidade de droga como pagamento pelos seus serviços", refere o relatório.

"Duas áreas chave de transbordo emergiram na África: uma na Guiné-Conacri e na Guiné-Bissau no norte da sub-região, outra na Baía do Benim no sul", adianta a organização das Nações Unidas.

O relatório salienta não haver provas de cultivo da planta de coca ou produção de cocaína em África.

A Guiné-Bissau tem vindo a ser crescentemente pressionada pela comunidade internacional para lidar com o fenómeno do narcotráfico, que segundo o Departamento de Estado norte-americano envolve altas patentes das Forças Armadas.

No final de abril do ano passado, o departamento Federal do Tesouro dos Estados Unidos
anunciou o congelamento dos bens do general Ibraima Papa Camará, chefe do Estado-Maior da Força Aérea guineense, e do contra-almirante Bubo Na Tchuto, ex-Chefe da Armada, por alegado envolvimento no tráfico de droga.

Tanto Papa Camará como Bubo Na Tchuto negaram qualquer ligação com o tráfico de droga e ambos afirmaram não possuir bens ou contas bancárias nos Estados Unidos.

O relatório sublinha que o tráfico para a Europa através de África está "novamente a aumentar".

"Depois de um declínio do tráfico de cocaína na região nos últimos dois anos, o tráfico foi retomado, como indicam várias apreensões de grande escala em 2010", refere.

"Um sério perigo que a cocaína representa é o seu grande valor em relação ao tamanho das economias locais. Os traficantes têm os recursos para subornar oficiais que protegem as suas operações", adianta o organismo da ONU.

Segundo o relatório hoje divulgado pelas Nações Unidas, os traficantes de droga que operam em África têm estado a "adaptar o seu modus operandi", nomeadamente usando aviões ligeiros para transportar carregamentos de droga de menos de uma tonelada para países costeiros como a Guiné-Bissau ou Serra Leoa, e países do interior do continente como o Mali, que "estão mais perto da Europa e cujo território é mais difícil de controlar"

"Os traficantes de droga mudam constantemente as suas rotas, em resposta a esforços bem sucedidos de policiamento"

Por exemplo, os carregamentos de cocaína estão cada vez mais a ser enviados da Argentina ou Uruguai para o centro ou sul de África, e para a Europa através de Marrocos, Argélia ou Tunísia.

O relatório da ONU aponta ainda para o papel de Moçambique no trânsito de drogas sintéticas fabricadas no sul da Ásia, caso da metaqualona.

Moçambique foi também, no ano passado, um dos principais países de destino de anfetaminas apreendidas pelas autoridades.
Sapo