O Banco Mundial (BM) anunciou que vai apoiar financeiramente o programa governamental de combate à pobreza em Cabo Verde  com seis milhões de dólares .

No comunicado em que anuncia o apoio, a instituição financeira salienta o progresso recente dos principais indicadores económicos e sociais, mas lembra os "desafios" que o arquipélago enfrenta, em particular as previsíveis dificuldades no acesso ao financiamento externo, depois de no início do ano Cabo Verde ter atingido a categoria de país de rendimento médio.

Também em relação às remessas de emigrantes, salienta, "pode haver um decréscimo ao longo dos próximos tempos, à medida que diminuem a diferença de rendimentos [entre Cabo Verde e os países da emigração cabo-verdiana] e os laços com a diáspora".

"O país está altamente dependente das importações petrolíferas (incluindo para a dessalinização de água, que representou 75 por cento da produção de água em 2003), que, no contexto de aumento continuado dos preços pode trazer alguns riscos a nível fiscal", alerta ainda o Banco Mundial.

A instituição financeira salienta ainda que está a registar-se um aumento da desigualdade de
rendimentos, e que a crescente urbanização está a colocar sob pressão os serviços básicos, como água e electricidade.

"A capacidade para o ambiente suportar uma expansão em larga escala do turismo, indústria e construção pode estar em causa se não for adequadamente gerida", refere ainda o Banco Mundial.

Cabo Verde é um dos poucos países africanos que está actualmente em linha com as metas dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, acordados com as Nações Unidas.

Entre 2001 e 2006, a pobreza recuou oito pontos percentuais, e a taxa de alfabetização atingiu os 79 por cento (97 por cento entre os jovens), e a esperança média de vida (69 anos) é actualmente a terceira mais alta de África.

O quarto crédito de Apoio à Redução da Pobreza (PRSC, na sigla inglesa), no valor se seis milhões de dólares, coincide com o último ano de implementação da Estratégia de Crescimento e Redução da Pobreza no arquipélago, quando ainda está em desenvolvimento o segundo documento do género.

O apoio tem como pilares a promoção da boa governação, através de reformas na gestão da despesa pública, a capacitação da administração pública e descentralização.

Outros objectivos são o desenvolvimento do capital humano, com um enfoque na saúde, e o fortalecimento do sistema de protecção social.
Lusa