Isidoro Manuel Lima, antigo combatente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) acusado de ter conspirado contra a vida do ex-líder do movimento nacionalista, Amílcar Cabral, morreu terça-feira de doença aos 70 anos de idade na ilha cabo-verdiana de Santo Antão.

Amílcar Cabral, que conduziu a luta armada para a independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, foi assassinado por dois membros do PAIGC em Conakry, capital da Guiné Conakry, a 20 de Janeiro de 1973.

Isidoro Lima abandonou o PAIGC, na Guiné Conakry em 1970, tendo na altura sido acusado de estar envolvido numa conspiração contra Amílcar Cabral.

Desde essa altura, ele passou a viver na Serra Leoa, de onde só regressou a Cabo Verde em 1995 devido à guerra civil que assolou aquele país da África Ocidental.

O antigo guerrilheiro, que se incompatibilizou com os seus companheiros do PAIGC que assumiram o poder em Cabo Verde após a independência do arquipélago em 1975, regressou ao seu país desprovido de qualquer recurso, uma vez que tinha perdido todos os seus bens durante a guerra civil na Serra Leoa.

Isidoro Manuel Lima foi um dos imigrantes cabo-verdianos mobilizados em 1963, em Fran&cce
dil;a, pelo actual Presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, para participar na luta de libertação que decorria nas matas da Guiné-Bissau.

Ele integrou um grupo de combatentes cabo-verdianos que esteve em Cuba, em 1967, onde recebeu formação guerrilheira para um eventual desembarque em Cabo Verde, que, no entanto, acabou por não acontecer.

O seu caso veio a público em Outubro do ano passado, quando o jornal privado «A Semana» noticiou que o Presidente cabo-verdiano, Pedro Pires, ao saber da extrema dificuldade em que Isidoro Lima vivia em Santo Antão, decidiu interceder junto do Governo para que o Estado concedesse uma pensão ao seu ex-companheiro de luta.

«Com esta pensão, ele poderá ter o resto de vida mais tranquilo», dissera o chefe de Estado cabo-verdiano, cujo pedido foi aceite pelo Governo apesar de reservas de outros antigos combatentes do PAIGC.

Alguns ex-combatentes do PAIGC consideravam que Isidoro Lima devia ser privado de pensão do Estado de Cabo Verde, tendo em conta o seu comportamento durante a luta de libertação.

Pedro Pires defendera que, partindo do princípio que em Cabo Verde não há lugar para acertos com a História e nem retaliações, qualquer ajuda a Isidoro Lima era, acima de tudo, uma questão de humanidade.

«Pessoalmente, entendo que Cabo Verde deve-lhe alguma coisa. Tendo traído ou não a luta, ele deu o seu contributo para Cabo Verde», explicara o Presidente cabo-verdiano.
Pana