São Tomé e Príncipe assinou com a Guiné Equatorial um acordo geral de cooperação que abrange várias áreas mas exclui qualquer acordo no domínio da exploração conjunta de petróleo, disse o primeiro ministro são-tomense, Patrice Trovoada.

No regresso a São Tomé de uma visita de três dias à Líbia e ao Gabão, de que não deu pormenores, Patrice Trovoada explicou o acordo assinado há uma semana com a Guiné Equatorial, país com o qual São Tomé e Príncipe mantém laços de cooperação em diversos sectores.

«Com essa vontade de cooperarmos, fomos assinando acordos sectoriais, mas faltava o acordo mãe. E isso é que foi reposto com a assinatura de um acordo geral de cooperação», justificou Patrice Trovoada. O primeiro-ministro são-tomense referiu ainda que o presidente da Guiné Equatorial abordou a possibilidade dos dois países virem, no futuro, a explorar em conjunto um bloco de petróleo.

«Trata-se apenas de uma possibilidade e nós iremos nas próximas semanas discutir em profundidade com a Guiné Equatorial quais as possibilidades».
Fonte da Agencia Nacional de Petróleo confirmou igualmente à Agencia Lusa não existir qualquer acordo específico sobre pet
róleo com a vizinha Guiné Equatorial. «Não existe nenhum acordo específico. O que existe com a Guiné Equatorial é um acordo de delimitação de fronteiras marítimas assinado em 2000, cujo documento está depositado nas Nações Unidas», disse.

No entanto, em declarações anteriores à Televisão pública de São Tomé e Príncipe, o Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema M'Basogo, disse haver um poço «muito rico em petróleo na fronteira marítima entre os dois países», e que as duas partes estão a trabalhar para que seja feita uma exploração conjunta.

Fonte contactada pela Lusa reconhece haver «muita actividade petrolífera na (referida) zona», mas adianta que é prematuro afirmar-se categoricamente que há poços de petróleo.

A afirmação do chefe de Estado da Guiné Equatorial da existência de muito petróleo na fronteira entre os dois países e de um acordo de exploração conjunto de petróleo suscitou expectativas entre os são-tomenses, o que começa a preocupar as autoridades. «A questão do petróleo foi muito comentada no nosso país, houve muitas expectativas, muitas especulações e de momento nós não queremos mais comentários», disse Patrice Trovoada.

Em entrevista há uma semana à Lusa, o primeiro-ministro são-tomense apontou os países do Golfo da Guiné como uma prioridade nas relações externas do país.

Lusa