A Portugal Telecom (PT) está a ponderar rescindir o contrato de concessão e exploração das telecomunicações no âmbito da empresa luso-guineense Guiné Telecom.

As últimas indicações chegadas à empresa dão conta da vontade da PT rescindir o contrato de concessão nos termos a acordar com a parte guineense, afirmou Francisco Mendes, vice-presidente e porta-voz do comité sindical dos trabalhadores da Guiné Telecom, que também são accionistas.

A Guiné Telecom foi criada há 19 anos, após um acordo entre a Portugal Telecom (40 por cento do capital social) o Estado guineense (50 por cento) e os funcionários (10 por cento).

Desde 2004, que a Guine Telecom enfrenta dificuldades técnicas e financeiras, decorrentes de falta de investimentos e quebra de receitas.

Em Março, as duas partes, a PT e o Estado guineense, encetaram negociações para a viabilidade da empresa, mas não chegaram a acordo.

Antes da rescisão, que seria amigável, a PT concederia um "período de transição" de sete meses durante os quais a equipa de gestão portuguesa se manteria em funções, afirmou o dirigente sindical.

"É a melhor solução para salvar a Guiné Telecom da morte lenta em que se encontra", disse, sublinhando que é esta a posição dos trabalhadores, desconhecendo ainda qual
será a decisão do governo.

O vice-presidente do comité dos trabalhadores da Guine Telecom disse, no entanto, que se o governo estiver interessado "em salvar" a empresa tem que aceitar a "vontade da parte portuguesa".

Francisco Mendes sublinhou ter tido informações que indicam que a PT aceita esta solução como forma de solucionar "um impasse" nas negociações com a parte guineense sobre as formas de viabilização da Guiné Telecom.

A PT alega falta de condições para realizar investimentos na Guiné Telecom pelo facto do Estado guineense ter uma dívida com a empresa de cerca de 30 milhões de euros.

"A rescisão do contrato entre a PT e o Estado guineense é a única alternativa, já que os dois accionistas da empresa não se entendem", defendeu, considerando benéfico para a empresa o facto de a PT querer acabar com a parceria que mantém com o Estado guineense desde 1989, data da criação da Guiné Telecom.

"Assim outros investidores poderão entrar e salvar a Guiné Telecom, que vive dias de amargura e caminha para o abismo", assinalou o sindicalista.

De acordo com Francisco Mendes, a situação da Guiné Telecom reflecte-se na facturação da empresa que hoje não ultrapassa os 60/70 milhões de francos CFA por mês quando há quatro anos se situava entre os 500 milhões de francos CFA/mês.

"A empresa facturava diariamente entre 15 a 20 milhões de francos (cerca de 30 mil euros), mas hoje a facturação diária não ultrapassa os 200 mil francos (cerca de 305 euros). Uma empresa com este registo não tem viabilidade", concluiu.
Lusa