
O Presidente do Conselho de Ministros da União Africana, Hon Akwasi Osei-Adjei, que a ausência do Reino Unido «não deve estragar a cimeira UE/África.
Em declarações à Agência Lusa, no final da reunião ministerial, Hon Akwasi Osei-Adjei, ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana, afirmou que o Reino Unido «é muito importante para África e para a Europa. Mas se eles escolheram não vir (à Cimeira) penso que isso não deve estragar a relação multilateral que África quer ter com a Europa».
A decisão do Reino Unido foi tomada por Gordon Brown que a 28 de Novembro afirmou que «se o senhor Mugabe participar (na Cimeira), o primeiro-ministro irá pedir à baronesa Valerie Amos que o represente».
Mugabe está actualmente proibido de viajar para a União Europeia, no âmbito de sanções em vigor contra o seu regime, que deverão ser levantadas para a Cimeira organizada pela Presidência Portuguesa da União Europeia.
Oitenta chefes de Estado e de Governo dos dois continentes foram convidados para a cimeira UE/África, agendada para 08 e 09 de Dezembro em Lisboa.
O Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, elogiou a "leitura correcta" do governo português pela rejeição das "tentativas do Reino Unido" para impedir as autoridades de Harare de participarem na II Cimeira Europa/África.
Num discurso sobre o "Estado da Nação", proferido no Parlamento local, Robert Mugabe criticou Londres por "tentar internacionalizar as divergências" entre os dois Estados.
Desde 2002 que o Zimbabwe é alvo de sanções impostas pela União Europeia (UE), depois de ter sido acusado por Londres de violações aos direitos humanos.
Na sua intervenção, Mugabe, que deverá chegar sexta-feira a Lisboa para participar na cimeira euro-africana, saudou também a abolição dos vistos entre o Zimbabwe e Moçambique, sublinhando que Harare está a estudar o mesmo procedimento com outros países da África Austral, no quadro da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Enquanto isso, um alto responsável do governo sul-africano, defende que o continente africano não pode impedir a União Europeia de discutir a questão do Zimbabwe durante a cimeira entre os dois que decorre de 08 a 09 de Dezembro, em Lisboa.
Num encontro com a comunicação social, Gert Grobler, director-geral adjunto do Ministério sul-africano dos Negócios Estrangeiros, manifestou o desejo do seu Governo em ver a cimeira concentrar-se em questões-chave de cooperação e parceria entre os dois continentes, mas reconheceu à Europa o direito de levantar a questão zimbabweana, que tanta tinta tem feito correr.
Para este responsável, será importante que os países africanos e europeus saiam da cimeira "não só com uma visão comum mas também com um plano de acção tangível".
Para Gert Grobler, a atenção da cimeira deveria ser concentrada em questões como paz e segurança, direitos humanos, boa governação, comércio e desenvolvimento e alterações climáticas, para as quais se exige uma visão comum e um plano de acção concertado.
Por seu turno, o Presidente de Portugal, Cavaco Silva, advertiu que "o respeito pelos direitos humanos, a liberdade, a democracia" é essencial para o relacionamento entre a União Europeia (UE) e a África.
O aviso foi feito por Cavaco Silva na abertura da Cimeira de Juventude África-Europa, no Centro Ismaili, em Lisboa, que, a três dias da II Cimeira de Chefes de Estado e de Governo, aproveitou para falar sobre a reunião de sábado e domingo entre a União e a África.
Neste encontro, os 27 e os países africanos deverão adoptar uma "estratégia comum", "baseada no respeito mútuo e em valores e interesses comuns", entre eles os direitos humanos, que mencionou por duas vezes num discurso de cinco páginas.
Além da necessidade de "produzir resultados palpáveis", o plano que acompanha a estratégia conjunta UE-África deve abranger "matérias tão importantes como a promoção da paz".
O plano de acção 2008-2012 da estratégia conjunta, advertiu, "abrange matérias tão importantes quanto a promoção da paz e da segurança, a defesa dos direitos humanos e da boa governação ou o apoio à agenda de integração regional e à melhoria do acesso de África aos mercados mundiais".