Coluna de opinião


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Nesta altura a UE parece inclinar- -se para a adopção de uma estratégia de contenção, que privilegie instrumentos de natureza repressiva e que favoreça o confronto político. Mais do que com a cenoura, nesta fase a UE quer acenar com o bastão à Guiné-Bissau.
Desde que foi anunciado o sistema de economia de mercado em 1992 o poder político angolano insiste em manter o modelo centralista da economia em que apenas o estado gera as soluções de bem-estar social dos cidadãos intervindo em todos os sectores sociais e económicos com o engajamento de volumosos investimentos públicos. O Governo angolano, ainda preso no modelo de economia centralizada ou comunismo, continua a desviar os preciosos recursos financeiros para áreas em que os privados podem bem desenvolver a sua actividade.
Meu irmão esquece esse palavreado em torno das riquezas de Angola. Deixa de repetir, cegamente, que somos o país que mais cresce no mundo. Esquece isso, meu irmão!
Essa Angola maravilhosa e fantástica que está hoje nas bocas do mundo não é, nunca foi e, tão cedo, não será para ti! Essa Angola com magníficos arranha-céus, moderníssimos escritórios, Brutas mansões, grandes condomínios privados e luxuosos hotéis não é tua. Essa Angola e parafraseando o músico Dog Murras é Angola dos investidores estrangeiros que estão a enriquecer de forma extraordinária. É Angola dos nossos «kota bué» que tudo podem e que tudo fazem. É Angola das mesmas pessoas que ficam com os bons empregos e com as boas oportunidades. É Angola dos herdeiros que não fazem nada e têm «bwé de massa».

Na verdade, a actual situação de embaraço político na Guiné-Bissau, de complexidade histórica e sociológica, é consequência de les enjeux políticos nacionais, mas também começa a testemunhar alguma falta de consolidação de posições por parte da comunidade internacional. Na procura de soluções duradouras (progressivas) para o país, não podemos considerar apenas que os problemas da Guiné-Bissau são consequências tout court das acções militares, muito pelo contrário. As (re)acções militares sempre foram consequências de causas e/ou instrumentalização políticas. Sou da opinião de que é urgentíssimo trabalhar de forma a garantir e proteger as instituições democráticas do país. Mas, os reais desafios residem na construção de um diálogo sincero baseado num “Contrato Social”, que permita o reencontro da ordem social. O “Contrato Social” deve trazer consigo a verdade de os guineenses aceitarem cordialmente e reconhecerem, ainda que de forma implícita, as suas limitações durante o “insolvente” processo de construção da nação guineense, que tanto autorizou o surgimento de divisões, crispações políticas, étnicas e sociais profundas.

Cabo Verde festeja hoje 35 anos de independência com motivos para sentir orgulho: relatórios internacionais apontam esta república de língua oficial portuguesa como um caso exemplar no contexto africano. É um país onde a democracia funciona, a alternância política se tornou uma realidade, o investimento estrangeiro começa a frutificar, nomeadamente no turismo, e as relações com a antiga potência colonial são excelentes. Apesar das dificuldades climatéricas,  é um dos mais promissores países africanos.

A coca de Bissau

A cimeira de Luanda e a credibilidade da CPLP já estão ameaçadas pela eventual aceitação do pedido da Guiné-Equatorial, observador associado desde 2006, para se tornar membro de pleno direito. Se a tropa da coca guineense sair impune da cimeira de Luanda e Teodoro Obiang, o ditador cleptocráta e megalómano do petróleo da Guiné-Equatorial, conseguir levar a sua avante a credibilidade e honorabilidade da CPLP não valem uma castanha de caju.

Angola é Rica Pra Quem?

É animador ouvir os especialistas estrangeiros garantirem que somos a economia do mundo que mais cresce e que seremos, de longe, o mais próspero país de África. Mas o doloroso regresso a Angola real obriga-nos a reavaliar as projecções das organizações internacionais e a repensar as garantias dos especialistas estrangeiros. Por isso, e por mais que doa e custe a muitos, a minha geração precisa de questionar, repensar e debater tudo aquilo que se tem dito sobre as míticas riquezas de Angola.    
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